CGTP assegura que "a luta vai garantidamente continuar"

Na manifestação desta tarde em Lisboa estiveram cerca de 60 mil pessoas

O dirigente da CGTP, João Torres, disse hoje que cerca de "60 mil trabalhadores" participaram na manifestação nacional da intersindical, em Lisboa e avisou que "a luta vai, garantidamente, continuar".

O responsável da comissão executiva da CGTP, falava nos Restauradores perto das 17:00, em Lisboa, local onde terminou a manifestação nacional promovida pela intersindical, que arrancou do Marquês de Pombal, perto das 15:30.

João Torres -- que falou em vez do secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, por este se encontrar afónico -- sublinhou que "a luta é o motor do desenvolvimento", como demonstraram os "avanços" alcançados com os professores esta semana quanto às progressões na carreira.

"Há avanços, mas é curto o caminho até agora percorrido quando comparado com o muito que há para andar", frisou o dirigente sindical, defendendo que "é preciso uma reposição mais consistente de rendimentos e de direitos".

Entre as medidas exigidas pela CGTP estão o aumento geral dos salários em pelo menos 4%, a fixação do salário mínimo nacional em 600 euros em janeiro de 2018, o combate à precariedade, o horário de 35 horas semanais, 25 dias úteis de férias e o fim das penalizações das reformas para quem tem pelo menos 40 anos de contribuições.

"É tempo de passar das palavras aos atos, de fazer opções e de garantir um novo futuro assente na valorização do trabalho e dos trabalhadores", disse no final da manifestação, que começou às 15:30 no Marquês de Pombal com uma faixa vermelha com a inscrição "valorizar o trabalho e as pessoas".

João Torres sublinhou que é necessário travar a saída dinheiro "para pagar investimentos que, no essencial, apenas garantem benefícios aos acionistas" ou "para pagar a gestão danosa, como é o caso dos 850 milhões previstos no Orçamento para continuar a acudir o setor financeiro".

No entanto, o dirigente sindical vincou que, para além dos cortes que têm que de se verificar na despesa pública, existem verbas provenientes da receita por arrecadar.

"Os casos escandalosos da utilização dos 'offshores' para fugir aos impostos, as transações financeiras que continuam ilibadas de quaisquer taxas, [...] a taxa de IRC [Imposto sobre o Rendimento de Pessoas Coletivas] efetivamente pago pelas grandes empresas, que tem anos em que não chega a 7% ou os rendimentos de capital que são taxados à parte dos do trabalho e em percentagem bem inferior", exemplificou.

No que respeita à legislação laboral, a CGTP defende que o Governo tem que romper com as normas da lei do trabalho, que fizeram de Portugal um dos países da União Europeia onde se verificam mais desigualdades.

"Os locais de trabalho não podem ser espaços interditos à efetivação dos direitos individuais e coletivos, vamos levar a liberdade de pensar, reivindicar e lutar para o interior de mais empresas", concluiu.

As bandeiras vermelhas da CGTP e de sindicatos de vários setores de atividade afetos à central sindical deram cor ao desfile, que contou também com a participação de outras estruturas, como os trabalhadores da empresa Soares da Costa, o Movimento Unitário de Reformados, Pensionistas e Idosos (MURPI) e a Comissão Coordenadora Permanente dos Sindicatos e Associações das Forças e Serviços de Segurança.

Alguns dos milhares de manifestantes empunharam cartazes exigindo as suas principais reivindicações: "Salário mínimo de 600 euros em janeiro de 2018", "Fartos de serem maltratados, trabalhadores exigem salários justos", "posto de trabalho permanente = vínculo de trabalho efetivo".

Ao som de tambores, os manifestantes percorrem a avenida da Liberdade, gritando palavras de ordem como "a luta continua nas empresas e na rua", "é mesmo necessário o aumento do salário", "igualdade salarial é urgente em Portugal", "emprego estável sim, precariedade não".

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Maria Antónia de Almeida Santos

Uma opinião sustentável

De um ponto de vista global e a nível histórico, poucos conceitos têm sido tão úteis e operativos como o do desenvolvimento sustentável. Trouxe-nos a noção do sistémico, no sentido em que cimentou a ideia de que as ações, individuais ou em grupo, têm reflexo no conjunto de todos. Semeou também a consciência do "sustentável" como algo capaz de suprir as necessidades do presente sem comprometer o futuro do planeta. Na sequência, surgiu também o pressuposto de que a diversidade cultural é tão importante como a biodiversidade e, hoje, a pobreza no mundo, a inclusão, a demografia e a migração entram na ordem do dia da discussão mundial.