Bolsas do ensino superior vão chegar a mais alunos no próximo ano

Regulamento que define apoio económico aos estudantes foi revisto, anunciou o Governo. Limite dos rendimentos para se receber bolsa aumenta 840 euros.

No próximo ano letivo, mais alunos do ensino superior vão ter direito a bolsa. O novo regulamento de atribuição de bolsas vai aumentar o limite de elegibilidade em 840 euros, passando para os 7776,85 euros de rendimento anual. A mudança no limite a partir dos quais os alunos deixam de ter direito ao apoio permitiria que já este ano 3000 fossem abrangidos, segundo os representantes dos estudantes. A que se podem juntar mais "1000 a 1500, atendendo aos estudantes que vão entrar no próximo ano no ensino superior e os que este ano não concorreram à bolsa porque na simulação ficaram de fora", explica Daniel Monteiro, presidente da Federação Nacional de Associações de Estudantes do Ensino Superior Politécnico (FNAEESP).

As alterações ao regulamento foram anunciadas esta tarde pelo Ministério da Educação e Ciência (MEC), depois da reunião desta manhã entre o secretário de Estado do Ensino Superior, José Ferreira Gomes, e os representantes das associações e federações académicas. As mudanças agora anunciadas mostram que o Governo acolheu as principais propostas apresentadas, no início de maio, pela Comissão para a revisão do Regulamento de Atribuição de Bolsas de Estudo para Estudantes do Ensino Superior.

O MEC indicou ainda que no próximo ano, os alunos terão um dia fixo do mês para recebeer o pagamento das suas bolsas e que vai ser alargado um mês (passando a serem pagos 11 meses) o pagamento do complemento de alojamento aos bolseiros deslocados. Outras das revisões propostas na comissão que integrou alunos, reitores e presidentes de politécnicos e representantes do ministério.

Para os estudantes, "este foi um passo muito importante. Embora não seja o cenário ideal é o possível tendo em conta as circunstâncias do país". Daniel Monteiro refere-se ao facto de, por exemplo, ter ficado de fora deste novo regulamento a alteração ao critério do aproveitamento escolar. Neste momento, os alunos têm de ter 60% das cadeiras feitas e os estudantes queriam que quem frequenta pela primeira vez o primeiro ano do ensino superior fosse obrigado a passar a 50% das disciplinas. "Consideramos que há uma mudança grande na vida destes estudantes, que têm de se adaptar a um novo sistema de ensino e muitas vezes até mudam de residência, pelo que o critério para ter direito a bolsa deveria ser menos rígido no final do primeiro ano", justifica.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ricardo Paes Mamede

O populismo entre nós

O sucesso eleitoral de movimentos e líderes populistas conservadores um pouco por todo o mundo (EUA, Brasil, Filipinas, Turquia, Itália, França, Alemanha, etc.) suscita apreensão nos países que ainda não foram contagiados pelo vírus. Em Portugal vários grupúsculos e pequenos líderes tentam aproveitar o ar dos tempos, aspirando a tornar-se os Trumps, Bolsonaros ou Salvinis lusitanos. Até prova em contrário, estas imitações de baixa qualidade parecem condenadas ao fracasso. Isso não significa, porém, que o país esteja livre de populismos da mesma espécie. Os riscos, porém, vêm de outras paragens, a mais óbvia das quais já é antiga, mas perdura por boas e más razões - o populismo territorial.

Premium

João Gobern

Navegar é preciso. Aventuras e Piqueniques

Uma leitura cruzada, à cata de outras realidades e acontecimentos, deixa-me diante de uma data que, confesso, chega e sobra para impressionar: na próxima semana - mais exatamente a 28 de novembro - cumpre-se meio século sobre a morte de Enid Blyton (1897-1968). Acontece que a controversa escritora inglesa, um daqueles exemplos que justifica a ideia que cabe na expressão "vícios privados, públicas virtudes", foi a minha primeira grande referência na aproximação aos livros. Com a ajuda das circunstâncias, é certo - uma doença, chata e "comprida", obrigou-me a um "repouso" de vários meses, longe da escola, dos recreios e dos amigos nos idos pré-históricos de 1966. Esse "retiro" foi mitigado em duas frentes: a chegada de um televisor para servir o agregado familiar - com direito a escalas militantes e fervorosas no Mundial de Futebol jogado em Inglaterra, mas sobretudo entregue a Eusébio e aos Magriços, e os livros dos Cinco (no original The Famous Five), nada menos do que 21, todos lidos nesse "período de convalescença", de um forma febril - o que, em concreto, nada a tinha que ver com a maleita.

Premium

Henrique Burnay

O momento Trump de Macron

Há uns bons anos atrás, durante uns dias, a quem pesquisasse, no Yahoo ou Google, já não me lembro, por "great French military victories" era sugerido se não quereria antes dizer "great French military defeats". A brincadeira de algum hacker com sentido de ironia histórica foi mais ou menos repetida há dias, só que desta vez pelo presidente dos Estados Unidos, depois de Macron ter dito a frase mais grave que podia dizer sobre a defesa europeia. Ao contrário do hacker de há uns anos, porém, nem o presidente francês nem Donald Trump parecem ter querido fazer humor ou, mais grave, percebido a História e o presente.

Premium

Ruy Castro

Um Vinicius que você não conheceu

Foi em dezembro de 1967 ou janeiro de 1968. Toquei a campainha da casa na Gávea, bairro delicioso do Rio, onde morava Vinicius de Moraes. Vinicius, você sabe: o poeta, o compositor, o letrista, o showman, o diplomata, o boémio, o apaixonado, o homem do mundo. Ia entrevistá-lo para a Manchete, revista em que eu trabalhava. Um empregado me conduziu à sala e mandou esperar. De repente, passaram por mim, vindas lá de dentro, duas estagiárias de jornal ou, talvez, estudantes de jornalismo - lindas de morrer, usando perturbadoras minissaias (era a moda na época), sobraçando livros ou um caderno de anotações, rindo muito, e foram embora. E só então Vinicius apareceu e me disse olá. Vestia a sua tradicional camisa preta, existencialista, de malha, arregaçada nos cotovelos, a calça cor de gelo, os sapatos sem meias - e cheirava a talco ou sabonete, como se tivesse acabado de sair do banho.