Animais abandonados em Lisboa vão ter famílias de acolhimento temporário

Medida visa responder à falta de espaço na Casa dos Animais da capital

A nova provedora dos Animais de Lisboa, Marisa Quaresma dos Reis, quer dar "uma resposta imediata à falta de lotação da Casa dos Animais" através da constituição de famílias de acolhimento voluntárias, avançou a própria à Lusa.

A ideia partiu de uma recomendação sua e "visa resolver parcialmente, ou pelo menos dar uma resposta imediata ao problema da falta de lotação da Casa dos Animais de Lisboa", afirmou.

Para tal, será criado "um programa de famílias de acolhimento temporário, amigas da Casa dos Animais".

"A ideia será recrutar um terceiro perfil de voluntários da Casa dos Animais de Lisboa que serão as famílias de acolhimento temporário, o que implicará uma alteração ao próprio regulamento, que à partida já está em fase de aprovação final", explicou a responsável.

Apontando que a ideia foi "bem acolhida pela Câmara Municipal", Marisa Quaresma dos Reis adiantou que o programa "irá avançar em breve", mas não se comprometeu com uma data específica.

Segundo a provedora, quem quiser constituir-se como família de acolhimento de animais terá de "mostrar a sua idoneidade através da apresentação do registo criminal e declaração da Junta de Freguesia", e inscrever-se junto do núcleo de voluntários da Casa dos Animais.

Os animais que cada família irá acolher "são escolhidos pela equipa técnica e veterinária da Casa dos Animais", e os custos serão suportados pelo município, uma vez que as pessoas irão contar "com acompanhamento médico-veterinário prestado pela Casa dos Animais, bem como alimentação", explicou Marisa Quaresma dos Reis à agência Lusa.

"Não há qualquer gasto para as famílias de acolhimento temporário que forem voluntárias da Casa dos Animais", vincou, acrescentando que o gabinete da Provedoria quer dar o exemplo e adotar dois gatos.

Esta é uma resposta que irá avançar enquanto não é feita a ampliação prevista para a Casa dos Animais, que "nem sequer ainda iniciou a fase de concurso público".

Marisa Quaresma dos Reis está em funções desde setembro "como interina" e tomou posse a 14 de dezembro perante a presidente da Assembleia Municipal de Lisboa, Helena Roseta.

Sobre o mandato que tem pela frente, Marisa Quaresma dos Reis espera que "seja ultrapassada a ideia de que a provedora faz o que a PSP ou o médico veterinário faz, que essa confusão deixe de existir", uma vez que a provedora tem "um papel muito próprio e diferente".

"O que eu quero fazer com esta oportunidade é chegar à população e sensibilizá-la para a questão do bem-estar animal", salientou, indicando que para tal irá "apostar na formação e conversas com a população", através de debates e mesas redondas "sobre temas delicados".

A Provedoria vai também "colaborar de forma estreita com a PSP e desenvolver programas de formação específica gratuitos" para os agentes.

Marisa Quaresma dos Reis avançou ainda que constituiu uma "comissão de redação da proposta de regulamento municipal de bem-estar animal", documento que "será enviado à Câmara Municipal já no início de 2018".

Ainda neste mandato, "irá avançar" também "uma comissão de acompanhamento de animais em situação vulnerável", presidida pela provedora, mas que incluirá também a polícia, a veterinária municipal e associações.

A apresentação do seu mandato, que irá durar quatro anos e não é renovável, decorreu hoje nos Paços do Concelho.

Marisa Quaresma dos Reis sucede a Inês de Sousa Real, que se candidatou à presidência da Câmara de Lisboa pelo partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN) e que atualmente é deputada municipal pelo mesmo partido.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Opinião

Os irados e o PAN

A TVI fez uma reportagem sobre um grupo de nome IRA, Intervenção e Resgate Animal. Retirados alguns erros na peça, como, por exemplo, tomar por sério um vídeo claramente satírico, mostra-se que estamos perante uma organização de justiceiros. Basta, aliás, ir à página deste grupo - que tem 136 000 seguidores - no Facebook para ter a confirmação inequívoca de que é um grupo de gente que despreza a lei e as instituições democráticas e que decidiu fazer aquilo que acha que é justiça pelas suas próprias mãos.

Premium

Margarida Balseiro Lopes

Falta (transparência) de financiamento na ciência

No início de 2018 foi apresentado em Portugal um relatório da OCDE sobre Ensino Superior e a Ciência. No diagnóstico feito à situação portuguesa conclui-se que é imperativa a necessidade de reformar e reorganizar a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), de aumentar a sua capacidade de gestão estratégica e de afastar o risco de captura de financiamento por áreas ou grupos. Quase um ano depois, relativamente a estas medidas que se impunham, o governo nada fez.