Ana Gomes satisfeita com investigação da PJ

Eurodeputada diz que buscas da PJ são um "sinal de que algo está a mexer" num processo em que fez queixas à PGR

A eurodeputada Ana Gomes (PS) manifestou-se satisfeita com as buscas que a PJ está a realizar esta sexta-feira no Ministério da Defesa e noutros locais do país, relacionadas com os estaleiros de Viana..

"É um sinal de que algo está a mexer num caso flagrante de corrupção", envolvendo a venda "a patacos" do ferryboat Atlântida ao grupo Douro Azul, o qual "tem muito que contar" às autoridades, sublinhou Ana Gomes ao DN.

Lembrando "a retaliação do ministro" José Pedro Aguiar-Branco após ter entregue uma queixa formal junto da PGR com os dados da "investigação possível" que então conseguiu fazer, Ana Gomes insistiu em afirmar que a venda do Atlântida era "um negócio que tresandava a corrupção".

A eurodeputada recordou ainda a queixa que fez por causa da anulação do contrato de construção dos patrulhões destinados à Marinha, pelo ex-ministro José Pedro Aguiar-Branco, "a pretexto de avançar para a subconcessão" dos estaleiros.

Foi "com espanto" que Ana Gomes viu depois "esse mesmo governo retomar os contratos com a West Sea", uma "entidade totalmente privada e sem experiência de construção de navios" que ganhou a subconcessão dos estaleiros de Viana - que era "um ativo estratégico para o Estado na área da segurança e defesa".

Entretanto, a Procuradoria-Geral da República (PGR) informou em comunicado que as buscas da PJ em diversos pontos do país estão relacionadas com a subconcessão dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) e a venda do navio Atlântida.

Até ao momento não foram constituídos arguidos, adiantou a PGR.

As diligências em curso nesta sexta-feira ocorrem em Viana do Castelo, Porto, Lisboa, Aveiro e Torres Vedras, segundo a PGR, que alude a buscas no Ministério da Defesa e na Empordef (a 'holding' estatal para as indústrias da Defesa).

Na operação Atlantis participam cinco magistrados do Ministério Público e quatro magistrados judiciais.

A investigação, explica a PGR, está relacionada com "suspeitas da prática dos crimes de administração danosa, corrupção e participação económica em negócio".

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