Ausências no SNS levam à perda de quase 3,8 milhões de dias de trabalho

Cerca de 46,3% das ausências são explicadas por motivos de doença

Artur Cassiano
Os médicos são os funcionários de saúde com menos ausências no trabalho, em 2017© PAULO NOVAIS/LUSA

O número de faltas dadas, no ano passado, pelos profissionais que trabalham na área da saúde representam um aumento de 2,4% em relação a 2016. Segundo dados do Ministério de Saúde, a maioria das faltas registadas prende-se com motivos de doença mas também foram causadas por greves.

De acordo com o Relatório Social do Ministério da Saúde divulgado esta semana, a doença (46,3%) e a proteção na parentalidade (32,9%) originaram mais de 2,9 milhões de dias de ausência ao trabalho no Serviço Nacional de Saúde. Paralelamente, os acidentes em serviço e as doenças profissionais foram responsáveis por cerca 170 mil dias perdidos, um decréscimo de 13,1% em comparação com dados do ano anterior.

As ausências ao trabalho por motivos de greve totalizaram 120.886 dias, representando o maior aumento face ao ano anterior (76,6%), destaca o documento, que observa ainda um acréscimo de 26,3% das faltas injustificadas, que somaram 21.048 dias, mais 4.379 dias do que em 2016.

Por outro lado, o relatório destaca "a diminuição significativa" ocorrida nos dias de trabalho perdidos por cumprimento de pena disciplinar (-32,6%).

Tal como aconteceu em anos anteriores, os enfermeiros foram os trabalhadores que registaram o maior número de ausências ao serviço (1,3 milhões de dias). Nesta lista, seguem-se os assistentes operacionais (951.742) e, posteriormente, os médicos (441.806).

Em 2017, ocorreram 6.951 acidentes com profissionais de saúde

Os assistentes operacionais registaram o maior número de dias de trabalho perdidos por motivo de doença e de acidentes em serviço, seguidos, em ambos os motivos, dos enfermeiros, refere o documento.

Mais de 50% das faltas dadas pelos enfermeiros prenderam-se com a proteção na parentalidade. Este situação relaciona-se "com o facto de se tratar de um grupo profissional predominantemente feminino e com uma idade média baixa", como é mencionado no Relatório Social do Ministério da Saúde.

v, 88% dos quais aconteceram no local de trabalho e 12% no itinerário para o trabalho. Os 3.980 acidentes com baixa deram origem a 100.789 dias de trabalho perdidos.

Os dados divulgados no relatório reforçam a tendência de acréscimo do absentismo, registada desde 2014: 3.053.005 dias perdidos em 2014, 3.394.120 no ano seguinte, 3.698.608 em 2016 e 3.788.556 no ano passado.