Amadora-Sintra, Faro e Garcia de Orta lideram nas queixas. No privado, é o Hospital da Luz

No ano passado, no total, os utentes fizeram 70 120 queixas nos hospitais e serviços de saúde

O hospital Amadora-Sintra foi aquele que registou mais queixas de utentes no ano passado, com 2185 reclamações. Seguiram-se o de Faro (com 1940) e o Garcia da Orta (1710).

No privado, o Hospital da Luz (1149), a CUF Descobertas (999) e os Lusíadas (678) lideraram no número de queixas. Quanto às parcerias público-privadas, o Hospital de Braga teve 1442 reclamações, o Beatriz Ângelo, em Loures, 1370, e o de Cascais ficou ainda acima das mil, com 1014.

Os números foram divulgados esta quinta-feira pela Entidade Reguladora da Saúde (ERS), que salienta que apresenta o valor bruto de reclamações para cada um dos estabelecimentos, sem qualquer ponderação quanto à dimensão da população que atende. Ou seja, é normal que os hospitais que atendem mais pessoas tenham mais reclamações. No caso dos referidos, são hospitais com internamento.

No ano passado, no total, os utentes fizeram 70 120 queixas nos hospitais e serviços de saúde, uma subida de 18,4% em relação ao ano anterior.

Os procedimentos administrativos e os tempos de espera foram os principais motivos para as reclamações - originando duas em cada cinco -, mas enquanto a primeira reclamação é mais comum no sector privado e social, a segunda é no sector público e público-privado.

Nos casos em que houve decisão da ERS, 2628 originaram "processos de avaliação para aprofundamento da averiguação da atuação do prestador".

Houve também quem quisesse deixar elogios: 8948 fizeram-no, sobretudo para distinguir o "pessoal clínico".

Ler mais

Exclusivos

Premium

Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.