Passos deixará a AR. PSD continua à espera dos candidatos

Quando for eleito o sucessor, Passos vai renunciar ao mandato de deputado. Rio avança na quarta, Santana ainda pondera.

Enquanto o PSD anda em suspenso à espera que os candidatos à sucessão de Pedro Passos Coelho se definam, o ainda líder do partido vai dando sinais sobre o seu futuro.

Passos não será no Parlamento uma sombra do próximo líder do PSD, quando deixar a liderança do partido. O ainda presidente social-democrata sairá da Assembleia da República, num futuro próximo, como o próprio já antecipou no seu discurso do Conselho Nacional ao afirmar que não andaria "a rondar" por aí.

Na quarta-feira, no primeiro debate quinzenal depois das eleições autárquicas, deu o palco ao líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, e na quinta-feira, na cerimónia do 5 de Outubro, deixou as despesas das reações ao discurso do Presidente da República para o secretário-geral do partido, José Matos Rosa. A seu tempo, será o momento de deixar de vez o Parlamento, apurou o DN.

Rio avança em Aveiro

No partido é que continua tudo em ebulição, sem haver ainda certezas de quem irá disputar as diretas, que o Conselho Nacional de hoje marcará para uma data em dezembro.

Tudo aponta para que Rui Rio apresente publicamente a sua candidatura na quarta-feira, em Aveiro, pelas 18:30, depois de ter sido noticiado anteriormente que seria em Coimbra. Ao Expresso, o ex-autarca do Porto apenas disse que seria numa cidade entre o Porto e Lisboa. Mas se terá adversário ainda é uma incógnita.

Pedro Santana Lopes continuava ontem a fazer contactos e a ponderar sobre as condições para avançar para a corrida à sucessão de Pedro Passos Coelho. Há quem no partido esteja convencido que acabará mesmo por deixar a provedoria da Santa Casa da Misericórdia, num momento em que o partido se poderá dividir entre os que apoiam Rio e os que não querem mesmo votar no ex-autarca do Porto. Fontes do PSD recordam que Santana herdou o partido das mãos de Durão Barroso, sem ter sido eleito. "Esta seria uma ocasião para se legitimar enquanto líder e precisamente contra quem, na altura [2004], não quis avançar para tomar conta do partido", afirma uma fonte social-democrata.

Mendes: desistir do bloco central

Ontem, no seu comentário na SIC, Marques Mendes também se mostrou expectante quanto ao eventual avanço de Santana Lopes, o que, se vier a acontecer, considerou de "ato de ousadia e coragem". Isto porque está numa posição confortável no plano pessoal, profissional e político.

Quando à candidatura de Rui Rio, o antigo líder do PSD considerou que tem três vantagens: coragem e autoridade; tem prestígio dos 12 anos que esteve à frente da câmara do Porto; e tem sobretudo a vantagem de nada ter a ver com os últimos seis anos do PSD.

Mas Mendes adivinha dificuldades, como seja a de um partido balcanizado e o facto de ter ideias que não são populares dentro do PSD. Entre as quais sobre a comunicação social, política de justiça e a regionalização. E há sobretudo "um fantasma", na opinião do também conselheiro de Estado, que Rui Rio se deveria livrar, ou seja, da ideia que defende de bloco central.

E profetizou ainda que a mudança de liderança no PSD "pode matar" a grande ambição de António Costa de uma maioria absoluta.

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