Desistir com média de 20: Giulia quer melhor

Conversão da média de Itália para Portugal tem em conta outros fatores além da média de final do curso de medicina

O nome de Giulia Monnati, 27 anos, não deveria estar na lista de candidatos ao processo de escolha de especialidade, mas um erro fez com que a sua rescisão de contrato não entrasse a tempo. Surge na posição 1624: 51% no exame de seriação; 20 valores de nota de final de curso. Até podia seguir para uma especialidade, mas já tinha desistido.

Naquela posição da lista, Giulia provavelmente não conseguiria entrar na especialidade para a qual está mais inclinada - medicina interna - e muito menos no Porto. "Quero estudar mais para tentar chegar a algo melhor", disse ao DN. Está novamente agarrada ao Harrison para voltar a fazer a prova nacional de seriação em novembro.

Tal como Giulia, surgem outros alunos italianos com média de 20 valores na lista, uma questão que frequentemente é apontada como resultado de uma maior facilidade do curso em Itália. Mas Giulia explica que não é bem assim. Lá, a média do curso situa-se entre os 18 e os 30 valores. No entanto, prossegue, "a nota final do curso não coincide com a média, porque lhe juntam outros pontos". Por exemplo, fazer Erasmus durante mais tempo, apresentar uma tese experimental ou terminar o curso no tempo previsto dão direito a mais pontos.

"Quando fazem a conversão, não usam a média, mas a nota final do curso, pelo que é fácil chegar à nota máxima", esclarece, acrescentando que é feita de acordo com normas europeias. No seu caso, frisa, a média do curso em Itália era superior aos 28.5, pelo que deveria chegar a um valor próximo dos 19 em Portugal. "Mas há pessoas que podem ter média mais baixa do que a minha e chegar a uma nota final igual. Com um 27, por exemplo, podem ter direito à nota final máxima." Na opinião da médica, seria mais justo que fossem buscar a média do curso e não a nota final.

Quanto ao facto de não existirem vagas para todos os médicos nas especialidades, Giulia diz que a situação em Itália é "particularmente crítica". "Temos qualquer coisa como cinco mil vagas para 13 600 pessoas. Mais de metade não tem acesso a especialidade".

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