Inspeção detetou 100 falhas nos Kamov

A Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) detetou 99 deficiências no controlo da manutenção dos helicópteros Kamov do Estado que combatem incêndios. O organismo imputa a responsabilidade destas "situações de não conformidade" a três dirigentes da Autoridade Nacional da Proteção Civil (ANPC), um deles o presidente, o major-general Francisco Grave Pereira, que se demitiu na semana passada, avança hoje o Público.

A auditoria concluiu que "existiram falhas notórias na esfera da gestão da aeronavegabilidade" por parte da Autoridade Nacional da Proteção Civil, as quais foram dividias em categorias, explica o jornal. A maioria, 64 de 99, diz respeito a falhas no controlo do tempo de vida dos componentes instalados nos helicópteros. Dezasseis das falhas detetadas diziam respeito ao "controlo ineficaz do processo de manutenção". Segundo o Público, a auditoria refere ainda falhas no controlo das ordens de reparação dadas à empresa que fazia a manutenção dos helicópteros pesados, a Helisuporte, uma subsidiária da Heliportugal, a empresa que vendeu os Kamov ao Estado.

Além disso, o plano de auditorias para o ano de 2014, que previa uma inspeção à aeronavegabilidade e outra à manutenção, não terá sido cumprido e não foi realizada qualquer auditoria de qualidade entre fevereiro de 2014 e maio de 2015.

A Inspeção-Geral da Administração Interna conclui que a responsabilidade destas falhas é de três militares da Autoridade Nacional da Proteção Civil: Grave Pereira, que se demitiu, o administrador responsável pela frota dos Kamov perante a ANPC e o diretor de serviços de meios aéreos e gestor da aeronavegabilidade na Autoridade Nacional de Proteção Civil.

Também a empresa que fazia a manutenção dos Kamov, a Helisuporte, é responsabilizada nesta auditoria, realizada pela Inspeção Geral da Força Aérea, que prestou apoio técnico aos inspetores da IGAI, após analisar toda a documentação dos helicópteros, sem que tenha ocorrido uma observação física dos aparelhos.

À Lusa, fonte do Ministério da Administração Interna revelou que o relatório da IGAI tem "caráter sigiloso", escusando-se a fazer qualquer comentário.

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