Líder da UGT critica aproveitamento político da "desgraça e infelicidade" 

O secretário-geral da UGT e presidente da Assembleia Municipal de Figueiró dos Vinhos, Carlos Silva, criticou hoje os "atores políticos" que se aproveitam da "infelicidade e desgraça" provocadas pelos recentes incêndios na região Centro.

À entrada para a reunião de Concertação Social, em Lisboa, com as consequências dos incêndios na agenda do encontro, o dirigente sindical considerou ser de "muito mau tom que alguns atores políticos se aproveitem da infelicidade e da desgraça" da região Centro.

Carlos Silva apontou o dedo a quem quer "capitalizar politicamente" os fogos que provocaram 64 vítimas mortais, mais de 200 feridos e "a destruição de empregos e de empresas".

"A população não aceita isso", afirmou o sindicalista, informando que a Assembleia Municipal de Figueiró dos Vinhos aprovou por unanimidade, na segunda-feira, uma moção de "rejeição em relação a determinados aproveitamentos políticos".

Questionado sobre se o destinatário das suas críticas era o líder do PSD, Pedro Passos Coelho, o presidente da assembleia municipal, eleito pelo PS, começou por responder aos jornalistas: "Venham de onde vierem [os aproveitamentos políticos]".

"Não me vou dirigir em particular. O país sabe, o país tem ouvido e nós não aceitamos que esta matéria sirva para impelir determinados propósitos. Fica mal às pessoas. Fica mal a quem utiliza este patamar de desgraça para outros aproveitamentos", afirmou o dirigente da UGT, para quem esta é uma altura de união e de reflexão.

Em ano de eleições autárquicas, o "povo decidirá", sublinhou ainda Carlos Silva, afirmando que nesta "questão sensível que deixou o país enlutado" os "responsáveis políticos máximos" devem retirar conclusões.

Ao final do dia de segunda-feira, o líder do PSD pediu desculpas por ter usado "informação não confirmada" ao falar num suicídio, depois desmentido, como consequência da falta de apoio psicológico às vítimas do incêndio que deflagrou em Pedrógão Grande, no distrito de Leiria.

Durante a manhã de segunda-feira, após uma visita ao quartel dos bombeiros de Castanheira de Pera, distrito de Leiria, o presidente do PSD tinha acusado o Estado de falhar no apoio psicológico às vítimas do incêndio de Pedrógão Grande, dizendo ter tido conhecimento de que um suicídio ocorreu por falta desse apoio.

Posteriormente, e depois de várias entidades terem negado a existência de casos de suicídio na região, o provedor da Santa Casa da Misericórdia de Pedrógão Grande, João Marques, assumiu ter dado uma informação errada a Passos Coelho sobre um alegado suicídio na sequência dos incêndios.

Os incêndios que deflagraram na região Centro no dia 17, e que demoraram uma semana a serem extintos, provocaram 64 mortos e mais de 200 feridos.

Mais de dois mil operacionais estiveram envolvidos no combate às chamas, que consumiram 53 mil hectares de floresta, o equivalente a cerca de 75 mil campos de futebol.

A área destruída por estes incêndios - iniciados em Pedrógão Grande, no distrito de Leira, e em Góis, no distrito de Coimbra - corresponde a praticamente um terço da área ardida em Portugal em 2016, que totalizou 154.944 hectares, segundo o Relatório Anual de Segurança Interna divulgado pelo Governo em março.

Das vítimas do incêndio que começou em Pedrógão Grande, pelo menos 47 morreram na Estrada Nacional 236.1, entre Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos, concelhos também atingidos pelas chamas.

O fogo chegou ainda aos distritos de Castelo Branco, através da Sertã, e de Coimbra, pela Pampilhosa da Serra.

O incêndio de Góis atingiu ainda Arganil e Pampilhosa da Serra, sem fazer vítimas mortais.

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