"Hospitais privados têm cerca de 32% das camas do sistema de saúde"

Presidente da Associação Portuguesa da Hospitalização Privada, Óscar Gaspar, fala sobre o crescimento da atividade

Qual é o retrato da saúde privada em Portugal?

Segundo a informação mais recente do INE, a hospitalização privada assegura mais de 6 milhões de consultas externas por ano, mais de 1,1 milhões de episódios de urgência e cerca de 250 mil médias e grandes cirurgias. Os hospitais privados têm mais de 11 mil camas de internamento, o que corresponde a cerca de 32% do total de camas do sistema nacional de saúde. Os hospitais privados são um pilar fundamental do sistema de saúde português. Num estudo recente, da Augusto Mateus & Associados, identificavam-se como principais fatores de sucesso o enfoque no doente, a tónica no valor, a orientação para a inovação. Se a hospitalização privada tem crescido e está a desenvolver-se é porque as nossas prioridades estão corretas e são apreciadas pelos portugueses.

Qual tem sido o crescimento nos últimos anos e a atual previsão de investimento?

Voltando aos dados do INE, de 2014 para 2015 o crescimento de atividade dos hospitais privados terá rondado os 8,5%. Em relação ao futuro, o que se confirma é um volume de investimento em curso muito relevante, de norte a sul, incluindo as regiões autónomas. Estarão, neste momento, a ser investidos mais de 500 milhões de euros, o que me permite afirmar que a oferta aos portugueses será reforçada e cada vez mais diferenciada.

Como vê a manutenção das PPP dos hospitais de Braga e Cascais?

Os estudos que o Ministério das Finanças elaborou são absolutamente claros e não deixam margem de discussão: os hospitais do SNS com gestão privada resultaram em poupanças para o Estado e num elevado nível da qualidade dos serviços prestados aos portugueses. Em termos contratuais, as Finanças confirmam que as PPP se traduziram em value for money, ultrapassando inclusivamente o inicialmente previsto pelo Estado. Os hospitais foram construídos no prazo previsto, sem qualquer derrapagem de custos para o Estado, com um escrutínio exaustivo dos termos da prestação de cuidados de saúde e das condições técnicas e financeiras da sua operação, com poupanças de muitas dezenas de milhões de euros para o erário público.

A gestão clínica do novo hospital Lisboa Oriental deveria ser PPP?

Trata-se de uma questão política e há muito que tinha sido anunciado que não seria esse o modelo. O que poderei dizer, com base em todos os estudos efetuados, é que o modelo de hospitais públicos com gestão privada provou ser eficiente, com ganhos para os cidadãos e poupanças para o SNS.

O bastonário dos médicos deu uma entrevista à vossa newsletter em que fala da formação médica especializada em hospitais privados.

A APHP e alguns dos operadores privados têm manifestado disponibilidade para dar um maior contributo na formação médica especializada. Neste momento já haverá centenas de internos nos hospitais com gestão privada, mas temos vontade e condições para fazer mais. Nomeadamente quando sistematicamente há queixas de que outras entidades têm dificuldade em acolher devidamente todos os jovens médicos que aí são colocados em formação. O Ministério da Saúde sabe que também neste campo queremos ser parceiros.

Qual o peso da ADSE nos privados?

Em termos globais representará cerca de 20% da atividade.

Que impacto terão as alterações da ADSE, nomeadamente o acréscimo de beneficiários?

O alargamento do universo dos beneficiários da ADSE é muito importante para a sua sustentabilidade. Por outro lado, é óbvio que só haverá cidadãos a querer integrar a ADSE se racionalmente o que descontarem seja mais do que compensado pela oferta de serviços a que têm acesso. Admito que a possibilidade de aceder aos hospitais privados seja um argumento muito relevante.

A APHP é uma das 125 signatárias de uma petição dirigida ao presidente da Comissão Europeia. O que defendem?

A saúde em termos europeus tende a ser um parente pobre, dado que é um setor da competência das políticas nacionais. A condição de saúde e a disponibilidade dos serviços de saúde é fundamental para o bem-estar dos cidadãos e também para a competitividade dos países e da UE. São muitos os apelos a que os diversos Estados olhem para a saúde como um setor económico da maior importância e, quando é o futuro da UE que está em discussão, então não é admissível que se esqueça ou minimize uma das políticas públicas que mais significado tem para as pessoas.

Temem que o fazer menos em algumas áreas, possa ser a saúde a sofrer.

Tem-se defendido há muito anos que a boa linha é "a saúde em todas as políticas" mas a UE tem sido má aluna desta matéria. Mesmo quando é inegável que a conjuntura económica teve impactos profundos na cobertura da saúde das populações e, em particular, dos mais desfavorecidos. Se a saúde não for assumida como prioritária em termos europeus corre-se o risco de haver uma redução da investigação e dos investimentos e uma redução do acesso dos cidadãos à inovação. A saúde é um investimento que devemos acarinhar.

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