Hollande em Portugal: "Os portugueses sentem a nossa dor"

Sem sorrisos, o Presidente Francês encontrou-se com Marcelo Rebelo de Sousa com o terrorismo a marcar a agenda

O Presidente francês sente que "Portugal e os portugueses partilham a dor" sentida no seu país por causa dos atentados terroristas que o têm atingido. "Partilhamos os mesmos valores de democracia, liberdade e igualdade e quando os terroristas atacam França estão a atingir todos os países que os partilham", sublinhou nas declarações aos jornalistas depois do almoço com Marcelo Rebelo de Sousa no Palácio de Belém.

Hollande sublinhou ainda que "o anima" o facto de saber que estes países "estão unidos contra os terroristas que os querem dividir e são capazes de reagir com a força necessária", apontando a Segurança como uma das prioridades para a União Europeia.

Marcelo Rebelo de Sousa lembrou a "antiga aliança" entre os dois países e agradeceu "do fundo do coração" a visita do seu homólogo "numa altura tão complexa em França".

Apesar das questões económicas europeias terem sido também objeto do encontro entre os líderes de ambos os países, nem Hollande nem Marcelo quiseram responder a uma questão sobre as eventuais sanções contra Portugal.

Segundo um estudo divulgado recentemente do Institut of Economic Research a França foi o país europeu que mais vezes violou a meta do défice (11). Desde 2002 apenas cumpriu o défice em 2006 e 2007. Sobre as sanções a Portugal, Hollande já tinha manifestado a sua compreensão com os protestos portugueses. "As escolhas que vocês fizeram são escolhas de acordo com as regras europeias e que são igualmente convergentes com as escolhas que fizemos em França. Devemos respeitar as regras mas deve haver flexibilidade para que Portugal e França possam criar emprego e criar medidas de progresso social, ao mesmo tempo que saneiam as contas públicas como vocês estão a fazer", disse.

François Hollande chegou a Portugal quatro dias depois do atentado de Nice e o tema do terrorismo e da segurança internacional esteve na agenda das conversas. Deixou um país de luto e uma onda crescente de contestação ao governo por causa da insegurança. Hollande esteve quase sempre de semblante carregado e com expressão de tristeza. Sorrisos só na hora da despedida durante o abraço.

O Presidente francês foi recebido no Palácio de Belém ao som da banda da GNR que tocou o hino francês, seguido do português. Depois Hollande e Marcelo entraram no Palácio onde o chefe de Estado francês assinou o livro de honra: "França e Portugal partilham dos mesmos valores de liberdade e da mesma visão da Europa. A minha visita testemunha a profunda amizade que une os dois povos nestas circunstâncias difíceis em que a França vive", escreveu.

Esta visita foi combinada entre os dois chefes de Estado quando Marcelo Rebelo de Sousa esteve em França, nas comemorações do Dia de Portugal a 10 de junho, com o primeiro-ministro português. O primeiro programa foi definido para uma típica visita de Estado, com Hollande acompanhado por uma delegação de empresários que viriam avaliar potenciais investimentos no nosso país. Estava também planeada uma visita ao Mosteiro dos Jerónimos e ao Museu de Arte Antiga.

Contudo, o trágico atentado de Nice obrigou a uma alteração de planos, encurtando a visita para cerca de quatro horas.

Do Palácio de Belém Hollande segue para a residência oficial do primeiro-ministro, onde terá uma reunião de trabalho. Termina a sua visita a Portugal numa receção na embaixada francesa, para contactar com a comunidade residente no nosso país.

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