Há mais de 136 mil crianças e jovens sem médico de família

Entre janeiro e o início de março, quase mil recém-nascidos também não tinham médico de família atribuído. Centros de saúde precisam de mais 403 clínicos para garantir 100% de cobertura

Atualmente há mais de 136 mil crianças e jovens, com menos de 18 anos, sem médico de família atribuído. E, entre 1 de janeiro e o início de março, perto de mil recém-nascidos estavam nas mesmas circunstâncias. ​​​​​

Os números foram publicados hoje pelo jornal Público e resultam de uma inciativa do Bloco de Esquerda (BE), que no início de março enviou aos 55 agrupamentos de saúde perguntas para apurar quantos recém-nascidos, desde 1 de janeiro, não tinham médico de família, e quantas crianças em idade pediátrica estavam na mesma situação.

Neste levantamento, os centros de saúde referem que é necessária a contratação de mais 403 clínicos para garantir a cobertura de toda a população.

De acordo com as respostas de 47 agrupamentos de saúde ao BE, desde 1 de janeiro que existem 968 recém-nascidos sem médico de família, apesar da lei - Projeto Nascer Utente -, em vigor desde 2016, que determina que a todos os bebés deve ser atribuído um médico de família à nascença. No caso de crianças e jovens em idade pediátrica, o número ascende a 136 mil, refere o jornal.

Esta é a segunda vez que o BE quer saber se a lei está a ser cumprida. Em maio de 2017, questionou os agrupamentos de saúde e concluiu-se que foram registados mais de 4 mil recém-nascidos sem médico de família desde setembro de 2016. Em relação às crianças até aos 18 anos foram encontrados 108 mil casos.

"Houve uma evolução, mas a lei continua longe de ser cumprida. Temos quase mil recém-nascidos sem médico de família atribuído e houve uma evolução negativa quando olhamos na idade pediátrica. É preciso encontrar uma solução. O que nos preocupa é que, não estando atribuído um médico a estes recém-nascidos, crianças e jovens, esta vigilância esteja a ser prejudicada", referiu o deputado do Bloco de Esquerda Moisés Ferreira em declarações ao Público.

Nas respostas enviadas ao BE, os agrupamentos de saúde garantem que, mesmo sem médico de família, os recém-nascidos que procuram os serviços são seguidos na consulta de vigilância em saúde infantil e que o acesso aos cuidados de saúde não está comprometida.

Segundo os dados do Portal do Serviço Nacional de Saúde, no passado dia 31 de janeiro havia 723 mil utentes sem médico de família. Lisboa e Vale do Tejo era a região mais afetada, com 533 mil utentes. Em relação aos dados agora revelados, a maioria dos recém-nascidos sem médico de família atribuído são desta região.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG