Grupo de alunos quer nova votação para referendo sobre garraiada

O argumento para nova tentativa é que o método utilizado "era muito falível" porque "o voto era contabilizado por braço no ar"

Um grupo de alunos da Universidade de Évora (UÉ) está a recolher assinaturas para convocar uma assembleia magna de estudantes que vote, novamente, a realização de um referendo sobre a continuidade da garraiada na Queima das Fitas.

"Um conjunto de circunstâncias impediu que o resultado [da votação sobre o referendo na última assembleia magna] fosse fidedigno", afirmou esta quinta-feira à agência Lusa Rui Mendonça, porta-voz deste grupo de alunos e estudante de medicina veterinária.

Na assembleia magna realizada na terça-feira à noite e que se prolongou pela madrugada de quarta-feira, segundo a presidente da Associação Académica da Universidade de Évora (AAUE), Ana Rita Silva, foram registados "124 votos contra o referendo e 117 a favor do mesmo".

A dirigente estudantil referiu à Lusa que tinha ficado decidido em assembleia magna que "o referendo não irá ser realizado", pelo que o espetáculo tauromáquico iria permanecer no programa da Queima das Fitas.

Rui Mendonça indicou que, na última assembleia magna, foram realizadas duas votações com resultados diferentes, salientando que, na primeira, deu "110 votos a favor da realização do referendo, 107 contra e seis abstenções".

"Decidiu-se realizar outra votação", com o argumento de que o método utilizado "era muito falível", porque "o voto era contabilizado por braço no ar", tendo sido feita "uma segunda votação com os alunos a levantarem-se fila a fila".

O estudante de medicina veterinária adiantou que nessa segunda votação existiram "117 votos a favor do referendo, 124 contra e sete abstenções", considerando que este método "também não é o ideal", por entender que é também falível.

"Como é que houve esta disparidade de resultados? De onde é que surgiram mais pessoas de uma votação para a outra?", questionou, garantindo que "saíram pessoas entre as votações".

O porta-voz deste grupo de estudantes da UÉ propõe que o assunto volte a ser votado em assembleia magna com um sistema de voto em urna.

Contactada pela Lusa, a presidente da AAUE admitiu que se "gerou alguma confusão" na primeira votação, porque "a contagem feita era facilmente falível", mas garantiu que na segunda "o método utilizado não deixou margem para dúvidas".

"Qualquer aluno está no seu direito de contestar e propor a realização de uma assembleia magna", acrescentou.

Para a convocação de uma assembleia magna de estudantes da UÉ extraordinária são necessárias as assinaturas de 10% dos cerca de 7.500 alunos da academia.

A Queima das Fitas em Évora vai ter lugar este ano de 25 de maio a 02 de junho, mas a garraiada ainda não tem data de realização prevista.

A atual direção da associação académica decidiu incluir a realização do referendo sobre a garraiada na ordem de trabalhos desta assembleia magna para lançar a discussão sobre o assunto, aproveitando o referendo realizado sobre este tema na Universidade de Coimbra, a 13 de março.

No referendo, os alunos da Universidade de Coimbra decidiram acabar com a garraiada na Queima das Fitas. À pergunta "Deve o evento garraiada continuar no programa oficial da Queima das Fitas?", 70,7% dos estudantes que participaram no referendo responderam "Não" e 26,7% "Sim".

O Conselho de Veteranos daquela academia decidiu que a garraiada permaneceria na Queima das Fitas, indo assim contra o resultado do referendo, mas a decisão foi considerada nula.

Já esta segunda-feira, o Conselho de Veteranos aprovou, em reunião, a decisão de acabar com a garraiada na Queima das Fitas.

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