Gripe e frio levam a mais mortes do que o esperado

Vírus dominante está associado a casos mais graves da doença e temperaturas mínimas têm sido inferiores ao normal, o que levou ao aumento da mortalidade na semana do Natal

Pela primeira vez desde o início da atividade gripal a mortalidade ficou acima do esperado. De acordo com o relatório do Instituto Nacional Ricardo Jorge (INSA), os casos de gripe estão a aumentar e o vírus dominante é o A(H3N2), associado a epidemias de grande intensidade. Também as temperaturas mínimas registadas têm sido inferiores ao que seria de esperar para dezembro. Dois fatores que explicam o aumento da mortalidade por todas as causas e das urgências nos hospitais na semana do Natal. O pico da gripe pode acontecer dentro de uma a três semanas e a Direção-Geral da Saúde ainda aconselha a vacinação de idosos e grupos de risco.

"O vírus dominante está associado a epidemias de grande intensidade e as temperaturas mínimas têm sido muito baixas. As duas situações levam a um aumento de procura de cuidados. Os doentes podem descompensar, nomeadamente idosos e pessoas com doenças crónicas que estão mais frágeis. Os hospitais têm feito a sua reorganização e tomado as medidas necessárias previstas nos planos de contingência", diz ao DN Graça Freitas, subdiretora-geral da Saúde. Os dois fatores também terão pesado para que a mortalidade por todas as causas apresentasse, entre os dias 19 e 25 deste mês, "valores acima do esperado", como refere o INSA.

"Registamos uma mortalidade superior do que seria de esperar se fosse uma época com pouca atividade gripal e com menos frio. As curvas de mortalidade [que servem de referência] estão calculadas para quando não existem fenómenos extremos. O que vemos é uma linha simétrica ao que aconteceu na época 2014/2015, quando este foi o vírus dominante. A mortalidade é predominante na faixa etária acima dos 75 anos, com outras doenças associadas como problemas respiratórios e cardíacos", explica Graça Freitas, sem adiantar números concretos.

Até ao momento foram internados nos cuidados intensivos 48 doentes. A maioria tinha mais de 64 anos, não estava vacinada (apenas 13 tinha feito a vacina) e tinha outras doenças associadas. Sete morreram até ao momento. "A vacina é protetora. Há uma grande diferença entre o número de doentes que estava vacinado e o que não estava", refere a responsável, que reforça o conselho: "Se é idoso, se pertence a um grupo de risco deve vacinar-se. O pico da gripe não é o fim. Ainda teremos atividade gripal durante muitas semanas até que deixe de existir. Ainda temos vacinas nos centros de saúde e nas farmácias."

60 mil urgências em três dias

As urgências dos hospitais estão a sentir a pressão e as horas de espera começam a aumentar. Entre os dias 26 e 28 registaram-se 60 mil episódios de urgência, segundo dados disponíveis no Portal do SNS. Ontem ao final do dia, por exemplo, no Montijo os casos urgentes esperavam em média quatro horas (o máximo deveria ser 60 minutos), em Loures duas horas, três horas no hospital de S. João. Já os casos considerados muito urgentes (10 minutos de espera) estavam a aguardar em média uma hora. Tal como nos hospitais Garcia de Orta e S. Maria.

Numa entrevista ao DN, a presidente da Administração Regional de Saúde (ARS) de Lisboa e Vale do Tejo, Rosa Matos, disse que o plano de inverno previa a abertura de mais 700 camas de internamento em toda a região e que mais de 50% já estavam a ser usadas. Também 30 centros de saúde estão com horário alargado aos dias úteis, 46 aos sábados e 29 aos domingos. No Algarve as unidades de Portimão, Lagoa, Silves, Faro e Olhão alargaram o horário da consulta aberta até às 22.00 e a região Centro vai reforçar o atendimento na passagem de ano, mantendo-se em funcionamento hoje e a 1 e 2 de janeiro.

Perguntas e respostas

Ainda pode tomar a vacina?

Sim. Apesar de já haver atividade gripal, mantém-se a recomendação. A vacina garante proteção e pode evitar maiores complicações caso apanhe o vírus. As pessoas com mais de 65 anos, internadas em lares, que estejam a aguardar transplantes ou em quimioterapia têm direito à vacina gratuitamente, sem necessidade de prescrição médica ou pagamento de taxa moderadora.

O que deve fazer para se proteger do frio?

Deve ter uma temperatura amena em casa. Mãos, pés, cara e lábios devem estar hidratados. Use várias camadas de roupa, em vez de uma única muito grossa, e não use roupas demasiado justas que dificultem a circulação sanguínea. Proteja as extremidades do corpo com luvas, gorro, meias quentes e cachecol.

Que cuidado se deve ter com as crianças?

Não sair de casa com o bebé ou recém-nascido nos dias de frio intenso. Deve agasalhar o bebé, principalmente a cabeça, orelhas, mãos e pés se tiver que sair de casa. Dar-lhe de beber regularmente e transportá-lo num carrinho para se movimentar e verificar se está bem protegido do frio.

E no caso dos idosos, o que se deve fazer?

Devem seguir-se as recomendações gerais e, se necessário, aconselhar-se com o médico assistente. Familiares, vizinhos e amigos devem acompanhar com o máximo de proximidade possível idosos sós ou com mobilidade reduzida, através de telefone ou com visitas pelo menos uma vez por dia para ajudar e verificar o seu estado de saúde.

Se se sentir doente o que deve fazer?

Antes de se deslocar à urgência, contacte a Linha Saúde 24 (808 24 24 24) para saber se é mesmo necessário recorrer a um hospital. Procure saber se o seu centro de saúde ou outro na sua zona de residência está com horário alargado. Ligue ao médico de família a pedir conselhos ou fale com o farmacêutico.

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