Greve atrasa entrega de cartões de cidadão e passaportes

Dirigente sindical fala em milhares de documentos de identificação retidos. Administração da Imprensa Nacional Casa da Moeda desdramatiza efeito da greve

Só os cartões de cidadão com pedido urgente foram emitidos e distribuídos ontem na Imprensa Nacional Casa da Moeda (INCM), onde os trabalhadores cumprem desde quinta-feira, e até à próxima quarta-feira, dia 2 de maio, uma greve parcial de duas horas em cada turno, para exigir o aumento de salários e o descongelamento da progressão nas carreiras.

"No primeiro dia de greve [26 de abril] não saiu da Imprensa Nacional Casa da Moeda nenhum documento, nem mesmo os de pedido urgente. Foram milhares de documentos que ficaram por distribuir", adiantou ao DN António Garcia da direção do Sindicato das Indústrias Transformadoras (SITE Centro), garantindo que a greve está a registar "uma forte adesão dos trabalhadores dos setores produtivos" da INCM.

A previsão do sindicalista é a de que na sequência da greve haverá "um atraso de muitos dias na emissão e entrega de cartões de cidadão e passaportes", documentos de identificação cuja produção é da responsabilidade da INCM.

A administração da empresa desdramatiza, no entanto, os efeitos da greve. Questionada pelo DN, e admitindo, embora, que "o impacto de uma greve, mesmo que parcial, condiciona o funcionamento de qualquer organização", a administração da INCM garante que, "dado que a greve é parcial, tem sido possível colmatar as situações mais urgentes de Cartões de Cidadão e Passaportes, tal como foi possível não interromper a edição do Diário da República", afirmando ainda que "a greve é um direito inalienável, que respeitamos".

Já o dirigente sindical António Garcia avança números concretos. "Só cartões de cidadãos saem dali [da Imprensa Nacional Casa da Moeda] 1500, em média, por dia", garante o sindicalista, cuja expectativa é a de que "esta interrupção na emissão e distribuição desses documentos, e também de passaportes, vai manter-se tal como está até ao último dia de greve agendado. "O último período de greve termina a 2 de maio, às 15.30, e depois disso os trabalhadores vão reunir-se em plenário até às 17.00, para tomarem decisões", adianta António Garcia. Antes disso está agendada também nova concentração junto à sede da empresa, em Lisboa.

"Vamos solicitar uma reunião à administração e se não houver nenhuma alteração em relação à atual situação, a convocação de nova greve é uma possibilidade em cima da mesa", garante o dirigente sindical.

Os trabalhadores da Imprensa Nacional Casa da Moeda iniciaram esta greve parcial na última quinta-feira, dia em que fizeram também uma concentração de protesto junto à sede da empresa, entre as 09.30 e as 11.30.

A concentração, bem como a greve parcial ao trabalho, que vai manter-se durante todos os dias úteis até à próxima quarta-feira, inclusive, pretende o aumento dos salários "que estão congelados desde 2009, e também o desbloqueamento da progressão nas carreiras", explica António Garcia. De acordo com o mesmo dirigente sindical, a situação não foi desbloqueada numa reunião anterior entre o sindicato e a administração, pelo que os trabalhadores decidiram avançar para greve que está agora em curso.

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