Governo e médicos "perto de acordo", garante ministro

Médicos ameaçam com greves rotativas e paralisação nacional se não houver acordo com o Executivo

O ministro da Saúde, Campos Fernandes, disse hoje, em Bruxelas, estar "muito mais perto" de um acordo com os médicos, garantindo que duas das reivindicações destes profissionais estão "praticamente" atendidas.

"Nós aproximámo-nos muito, estamos mais perto de um ponto central de acordo do que estávamos há uns meses e, das três reivindicações iniciais dos médicos, duas estão praticamente em condições de serem acordadas", assegurou Adalberto Campos Fernandes aos jornalistas, questionado sobre a ameaça de nova greve dos médicos.

"Iremos, no ritmo e nas possibilidades que temos, confiantes de que estamos hoje muito mais perto de um acordo do que estávamos há três ou quatro meses", sublinhou também.

Campos Fernandes reconheceu, no entanto, que "há trabalho para fazer", garantindo que manterá o "processo negocial até ao último minuto".

"Também não desistimos de cumprir a nossa parte que é defender o interesse público e o interesse nacional", disse, à saída de reuniões na Comissão Europeia, em Bruxelas.

Greves rotativas pelo país, uma paralisação nacional e uma concentração em Lisboa são algumas das formas de luta que os médicos ponderam para a segunda semana de outubro, revelou à Lusa fonte da Federação Nacional de Médicos (FNAM).

No final de uma reunião geral de médicos, que decorreu na terça-feira à noite em Lisboa, o presidente da FNAM, Mário Jorge Neves, explicou à agência Lusa que "existe uma predisposição muito forte e uma indignação muito forte por parte dos médicos para enveredarem por formas de luta".

Os médicos já tinham anunciado em agosto que ponderavam a realização de uma greve em outubro, depois das eleições autárquicas, mas hoje aquele dirigente sindical especificou algumas das formas de luta: "Greves rotativas pelas várias zonas do país em semanas sucessivas, a culminar numa greve nacional com concentração em frente ano Ministério da Saúde".

Isto poderá acontecer, disse, caso o Governo se recuse a repor "situações laborais que estavam em vigor antes da 'troika'".

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