A função pública não irá ser aumentada em 2019

"Inadmissível", diz CGTP que promete "um grande 1.º de Maio". UGT diz-se frustada e fala em "grandes perturbações". PSD pede aumentos salariais para Função Pública

A CGTP disse hoje que o ministro das Finanças informou o Conselho Permanente de Concertação Social de que não haverá aumentos de salários em 2019, tendo a central sindical considerado "inadmissível" a posição do Governo.

"Não se percebe que este Governo esteja obcecado pelos números e a perder sensibilidade social", disse aos jornalistas o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, no fim da reunião de mais de três horas em Lisboa.

O dirigente sindical afirmou que não se pode confundir descongelamento de carreiras para alguns trabalhadores, com consequentes atualizações de salários, com aumentos salariais para todos os trabalhadores, considerando que, com esta decisão, o executivo põe os "trabalhadores em segundo plano enquanto trata os credores [de dívida pública] nas palminhas".

Segundo Arménio Carlos, o Programa de Estabilidade prevê que só depois de 2020 possa haver aumentos de salários.

Sobre os motivos para não haver aumentos salariais em 2019, disse que o Governo "não aprofundou a discussão".

Arménio Carlos terminou as declarações aos jornalistas a prometer "um grande 1.º de Maio".

A informação hoje dada pelo Governo aos parceiros sociais de que não haverá aumentos salariais para funcionários públicos em 2019 foi confirmada aos jornalistas também pelos representantes da UGT.

UGT frustrada

"Ficamos não admirados, mas frustrados ao ouvirmos dizer que não haverá tão cedo aumentos salariais, estes trabalhadores continuarão a pagar fatura da crise. Isto causa grandes perturbações", afirmou Lucinda Dâmaso.

A dirigente sindical considerou que só "trabalhadores respeitados, reconhecidos e valorizados" prestarão serviços de qualidade na administração pública, como na saúde ou nas escolas, além de que o Governo devia dar "um sinal de esperança" a todos os que foram penalizados durante a crise.

Ainda para a presidente da central sindical UGT, o discurso do governante foi "dominado pela incerteza" em termos de futuro, apesar da melhoria da economia e da diminuição de desemprego que se vivem atualmente.

Líder parlamentar do PSD defende aumentos

O líder parlamentar do PSD, Fernando Negrão, defendeu um aumento salarial na função pública já em 2019, se o Governo aceitar uma reforma do Estado baseado numa redução do número de funcionários.

Em entrevista à Antena 1, Negrão afirmou poder acompanhar as propostas dos partidos da esquerda, PSD e BE, e defendeu uma reforma que passe pela qualificação dos funcionários, mas também uma redução no número dos trabalhadores do Estado.

Essa reforma, "no essencial", deve "passar por uma reorganização de serviços, por novos quadros e por uma nova política remuneratório", acrescentou.

Questionado sobre se poderia apoiar as propostas dos partidos de esquerda, Fernando Negrão admitiu que sim na entrevista que será divulgada, na íntegra, no sábado.

"Se verificarmos que, em termos de economia, existem condições para esse efeito, e se houver da parte do Governo vontade para iniciar uma reforma do Estado, acho que há uma hipótese provável acompanhar os partidos no aumento dos vencimentos", afirmou.

Esta posição do presidente da bancada do PSD surge no dia em que o ministro das Finanças informou o Conselho Permanente de Concertação Social que não haverá aumentos de salários em 2019.

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