Governo admite negociar mas não em função de greves

Os trabalhadores da saúde estão a cumprir uma greve a nível nacional para reivindicar a admissão de novos profissionais, exigir a criação de carreiras e a aplicação das 35 horas semanais a todos

O secretário de Estado da Saúde disse hoje que o Governo continua "aberto à negociação" e ao diálogo com os trabalhadores da saúde, mas "não pode tomar decisões em função das pressões da rua ou da pressão das greves".

Manuel Delgado falava à agência Lusa, em Lisboa, no final da cerimónia de assinatura do protocolo entre o Instituto Ricardo Jorge e a Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais para garantir cuidados de saúde e a realização de análises clínicas a reclusos de 11 cadeias.

Confrontado com informações que indicam níveis muito elevados de adesão à greve dos trabalhadores da saúde, Manuel Delgado referiu que o Governo está a acompanhar a situação, acreditando que o protesto não terá as repercussões e os efeitos nos doentes que à partida se poderia imaginar.

Quanto às negociações sobre as 35 horas semanais, o secretário de Estado da Saúde referiu que "as coisas estão no mesmo pé em que estavam antes", não havendo "nada a dizer", embora admita que o Governo "está aberto à negociação".

"O Governo não pode tomar as suas decisões em função de pressões de rua ou de pressões de greves", sublinhou Manuel Delgado, prometendo, contudo, que o executivo "irá tranquilamente" prosseguir o diálogo com os trabalhadores da saúde.

Relativamente à falta de trabalhadores da saúde, o secretário de Estado realçou que o Governo vai prosseguir o reforço de profissionais para o Serviço Nacional de Saúde, lembrando que 2016 foi o ano em que houve mais admissões de novos trabalhadores para o SNS, abrangendo a área médica, de enfermagem, assistentes operacionais e assistentes técnicos.

"O Governo anterior deixou o SNS exaurido de recursos", criticou Manuel Delgado, acrescentando que, em alguns locais do país, havia uma "falta gritante de recursos humanos".

O secretário de Estado admitiu que "há ainda serviços [do SNS] carenciados de recursos humanos", mas disse que a política seguida em 2016, de reforço de meios, será "para continuar".

Segundo disse hoje à Lusa o sindicalista Luís Pesca, a greve dos trabalhadores da saúde está a ter uma adesão de 100% em vários hospitais do país, estando a ser cumpridos os serviços mínimos.

Os trabalhadores da saúde estão a cumprir uma greve a nível nacional para reivindicar a admissão de novos profissionais, exigir a criação de carreiras e a aplicação das 35 horas semanais a todos os funcionários do setor.

Convocada pela Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais, a paralisação pretende ainda reclamar que terminem os cortes nos pagamentos das horas de qualidade e do trabalho suplementar.

A criação da carreira de técnico auxiliar de saúde é um dos motivos centrais da greve, que pretende ainda a revisão e valorização das carreiras de técnicos de diagnóstico e terapêutica e a garantia de que a carreira de técnico de emergência pré-hospitalar tenha a respetiva revalorização salarial.

É ainda reivindicado o pagamento do abono para falhas e a aplicação do vínculo público de nomeação a todos os trabalhadores do SNS.

Sobre a exigência da admissão de mais trabalhadores, a Federação de Sindicatos estima que estejam em falta no SNS cerca de seis mil funcionários auxiliares e administrativos.

A greve é destinada a todos os trabalhadores da saúde que não sejam médicos ou enfermeiros, apesar de estes profissionais poderem aderir caso o entendam, explicou à Lusa Luís Pesca.

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