Governo abriu porta a sanções por "razões políticas", acusa PSD

Socialistas devolvem acusação e dizem que é Maria Luís Albuquerque a ver-se ao espelho. BE insiste em referendo e recusa "sanções zero"

Sem pestanejar, Maria Luís Albuquerque apontou o dedo ao atual Governo na responsabilidade pelas sanções que serão aplicadas ao país, com a ex-ministra das Finanças a falar mesmo em "razões políticas" para o executivo de António Costa ter deixado que isto acontecesse.

"As contas do ano passado foram fechadas pelo atual Governo", notou a deputada do PSD, "e as decisões mais relevantes foram tomadas pelo atual Governo". Para logo a seguir defender o seu ponto de vista: "Aquilo que é verdadeiramente importante é que não faltam argumentos técnicos para defender que Portugal efetivamente não poderia estar sequer sujeito a esta discussão da aplicação de sanções e foi na apresentação desses argumentos que o Governo falhou ou por incompetência ou - o que julgo que será mais o caso ou espero que seja mais o caso - ou por razões políticas."

Logo depois, João Galamba, falando em nome do PS, recusou que seja essa a bitola do Governo socialista, por comparação com... a ex-ministra das Finanças. "Muitas vezes vemos pessoas a projetar nos outros as suas próprias características. Se Maria Luís Albuquerque considera que um governo português alguma vez atentaria contra o interesse nacional, por meras razões de política mesquinha, penso que Maria Luís Albuquerque está a falar sobre ela própria e não sobre o atual Governo", atirou o socialista. Para logo completar: "A prova que assim é, é que não tem parado de fazer isto nas últimas semanas."

Já Mariana Mortágua, pelo BE, insistiu que "é legítimo referendar o mecanismo que está a impor sanções", recusando mesmo que o Governo consiga transformar o castigo em "sanções zero". "Sanção zero é uma humilhação ao país, uma farsa."

Também o PCP, através da vice-presidente da bancada Paula Santos, defendeu a "desvinculação" de Portugal do Tratado Orçamental, mas recusando o caminho referendário, preferindo antes a convocação de "uma conferência intergovernamental para revogar" esse e "outros tratados que estão a impedir o desenvolvimento" do país.

Todos os partidos que falaram nos Passos Perdidos, no Parlamento (só o CDS reagiu fora, através da sua líder, durante uma visita de Assunção Cristas a uma incubadora de empresas nos arredores de Lisboa), criticaram a aplicação de sanções. O PSD disse "lamentar profundamente" e BE e PCP falaram em "ataque" ao país. Já o PS lamentou a falta "de razoabilidade" nas decisões da Comissão Europeia.

atualizado às 14.20 com a posição do PCP

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