Festival da Eurovisão vigiado por 17 câmaras junto da Altice Arena

MAI e Proteção de Dados autorizaram a instalação para reforçar a segurança do evento até 15 de maio. PSP tem gabinete no pavilhão

São 17 as câmaras de videovigilância que estarão instaladas no perímetro da Altice Arena, onde vai decorrer o Festival Eurovisão da Canção para reforçar a segurança do evento. É a primeira que tal acontece no espaço público junto ao pavilhão, apurou o DN.

O ministro da Administração Interna autorizou a instalação e a utilização deste sistema no Parque das Nações, em Lisboa, desde ontem até ao dia 15 de maio, período em que decorrem os preparativos e a realização do Eurovisão 2018. Um evento que envolve mais de quatro mil profissionais e para o qual são esperados mais de 40 mil visitantes. Segundo o DN apurou junto do gabinete do ministro, as 17 câmaras serão instaladas na zona envolvente da Altice Arena e o seu objetivo é a proteção e segurança de pessoas e bens e a prevenção de crimes durante o evento. Este sistema teve o parecer positivo da Comissão Nacional de Proteção de Dados.

A videovigilância daquela zona funcionará 24 horas, nos 18 dias em que foi autorizada, não sendo permitida a recolha de imagens de locais privados - através de barramento de portas, janelas e varandas.

A segurança do Festival Eurovisão da Canção - que se realiza entre 4 e 12 de maio - envolveu meses de preparação. As autoridades nacionais atribuíram ao evento o nível 3 de ameaça, o que corresponde a "ameaça significativa", e mais alto do que aquele em que o país tem estado nos últimos anos desde os atentados de Madrid em 2004, em que morreram 191 pessoas. A visita do Papa Francisco também teve um nível de risco idêntico ao atribuído agora ao festival.

A avaliação de risco "significativo" à visita do líder da Igreja Católica foi feita pelo Serviço de Informações e Segurança (SIS), e foi defendido numa reunião de alto nível, que juntou polícias, secretas, proteção civil, militares e representantes do gabinete do primeiro-ministro. O encontro realizou-se nas instalações do Sistema de Segurança Interna (SSI), sob coordenação da secretária-geral, Helena Fazenda, cerca de duas semanas depois de estas entidades terem recebido as orientações estratégicas no Ministério da Administração Interna, tal como noticiou o DN na altura.

Milhares de visitantes

Para o festival, a PSP tem um gabinete de segurança na Altice Arena e "dois oficiais destacados a trabalhar lá há semanas", diz o intendente Hugo Palma. Ele próprio, diretor do gabinete de imprensa, já teve várias reuniões para "a gestão de cenários e comunicação". Aquele responsável admite que há diferenças em relação à segurança de dois outros acontecimentos musicais, no caso o Rock in Rio e o Nos Alive. "Este é mais nacional." Nos outros, "as pessoas vêm naquele dia e vão embora". Na Eurovisão, reforça, "temos milhares de pessoas estrangeiras que vão circular pela cidade".

A segurança estende-se a muitos mais locais do que o Parque das Nações. "O aeroporto de Lisboa foi reforçado", garante Hugo Palma, que lembra as preocupações com o terrorismo. "Vivemos no mundo ocidental, há cuidados a ter, é um evento com grande exposição mediática." Mas, diz, "não é a primeira vez que temos estes cuidados". Por exemplo, a colocação de obstáculos na rua já aconteceu na passagem de ano.

A participar no Festival da Eurovisão da Canção há delegações de países com historial de terrorismo: Alemanha, França, Reino Unido, Espanha, Israel. Haverá mais segurança em torno destas delegações? Hugo Palma afirma que "há uma avaliação de risco em todas as delegações, mas há delegações que exigem mais cuidado. Têm um perfil de risco maior, mas não vou dizer quais. Essa avaliação está feita. Algumas vão ter o acompanhamento do corpo de Segurança Pessoal da PSP".

Na segurança do evento vão estar também envolvidas equipas de prevenção e reação imediata (EPRI), que são compostas por dois agentes numa moto. "Têm uma mobilidade que uma viatura policial não tem, num cenário de trânsito condicionado", sublinha Hugo Palma.

O Comando de Lisboa vai ser reforçado pela unidade especial de polícia. Há equipas especializadas em explosivos e a trabalhar no subsolo. Vão estar no terreno equipas de investigação criminal, à paisana, a trabalhar na deteção de situações suspeitas. "É mais fácil misturarem-se na multidão", refere o diretor do gabinete de imprensa da PSP.

Esta é uma das maiores operações de segurança, que contará com três milhares de operacionais. O espetáculo receberá 11 300 espectadores. Cerca de mil pessoas trabalham na Altice Arena na organização do evento e já estão cerca de dois mil jornalistas acreditados.

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