Erosão costeira está a ser "acompanha de perto"

O ministério do Ambiente garantiu que continuará a "acompanhar de perto" casos mais críticos de erosão costeira, como Castelo de Neiva e Mira, defendendo que a retirada de populações das zonas ameaçadas, sugerida pela Quercus, carece de estudos aprofundados.

Em declarações à Lusa sobre situações críticas no litoral e que exijam uma intervenção urgente, a secretaria de Estado do Mar afirmou que continuará "a proceder como até à data através da monitorização, acompanhamento e desenvolvimento de ações, com o envolvimento do Instituto da Água e das administrações de regiões hidrográficas, em articulação estreita com outras entidades com competência nesta matéria", como a Proteção Civil e capitanias. "Como referência, estamos a acompanhar de perto as situações de Castelo de Neiva (Viana do Castelo) e da Praia de Mira (concelho de Mira), onde temos tido meios humanos e logísticos com vista a minimizar os danos resultantes do avanço do mar, em consequência das condições climatéricas registadas na semana passada, e para as quais estão também previstas intervenções de fundo", adiantou o gabinete de Manuel Pinto de Abreu.

Recentemente, a associação ambientalista Quercus alertou para o elevado custo de requalificar a faixa costeira portuguesa, onde mais de dois terços correm risco de erosão, considerando que em alguns casos é preferível retirar as populações ameaçadas. Mira, Costa de Caparica, ria Formosa (ilha de Faro, onde o Polis já prevê a retirada das populações), mas também áreas afetadas nas últimas semanas pelo avanço do mar, como Moledo (Caminha) ou Castelo de Neiva são exemplos avançados pelos ambientalistas. No entanto, o secretário de Estado do Mar defende que "não há soluções únicas e cada uma das situações terá de ser vista caso a caso de acordo com as suas especificidades", mas admitiu que esta pode ser uma saída em alguns locais.

"Em alguns casos poderá ter de haver lugar a deslocalizações, com se tem verificado na Ria Formosa", referiu, acrescentando contudo que nenhuma solução pode ser adotada "sem haver primeiro lugar a uma análise devidamente estruturada e fundamentada que pese todos os vetores - sociais, ambientais e económicos". O ministério sublinha que o litoral, "pelas suas características naturais e dinâmica, reveste-se de alguma incerteza, sendo particularmente vulnerável ao potencial impacto das alterações climáticas".

A faixa costeira, que representa oito por cento da superfície de Portugal Continental, concentra "cerca de 85% das atividades económicas do país e 76% da população". Segundo o estudo Alterações Climáticas em Portugal, Cenários, Impactos e Medidas de Adaptação, de 2005, 67 por cento do território continental está em risco de erosão costeira.

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