"Lisboa e Porto cederam à especulação imobiliária"

"O que as autarquias têm feito é demitir-se do seu papel básico", afirma a líder do Bloco de Esquerda

Estamos mesmo a terminar, mas porque já há candidato à Câmara de Lisboa e porque, no caso do Porto, há muito poucas horas o Bloco aprovou os nomes de João Semedo para o Executivo e de João Teixeira Lopes para a Assembleia Municipal, uma pergunta óbvia: o que é que pretendem mudar no Porto?

Nós precisamos de uma cidade que responda a quem lá viva. Nós estamos a ficar com cidades esvaziadas, no sue centro, das suas populações, em nome de um crescimento turístico, que as pessoas desejam, que é normal que desejem, que dá emprego, que dá crescimento económico, mas [que] é absolutamente insustentável e que está a retirar às pessoas os direitos mais básicos de habitação, de mobilidade, de cidadania. E, portanto, seguramente quando há crescimento de um setor da economia e quem vive nas cidades não vê nenhum benefício disso, mas apenas o prejuízo, há um problema claro, de estratégia económica e distribuição de serviços públicos, de rendimentos, de riqueza, que tem de ser posto em cima da mesa. E no porto, como em Lisboa, aliás, na verdade as autarquias têm sido muito mais sensíveis aos movimentos de especulação imobiliária e têm sido bastante permeáveis aos negócios imobiliários e muito pouco sensíveis às necessidades das populações.

O turismo é muito importante, também, para essas cidades e, portanto, traz sempre atrás uma necessidade de mexer no imobiliário. Isso não justifica, para si, que haja, por parte das autarquias de Lisboa e do Porto uma atenção especial a essa questão?

Nós não achamos que antes estivesse bem. Portanto, o nosso problema não é "vamos voltar atrás". Não é isso. É, a partir do momento em que há uma pressão grande, cabe às autarquias as políticas que garantem a sustentabilidade do desenvolvimento económico do turismo, entre outros, e que garantem o direito à cidade às pessoas que a habitam.

Uma maior exigência para todos os envolvidos.

E, portanto, o que as autarquias têm feito é demitir-se do seu papel básico de garantir condições de vida às populações. E isso é que nós não podemos aceitar.

João Semedo apresenta-se como candidato socialista no Porto. Estranha que o Partido Socialista esteja numa candidatura onde está também o CDS e onde, obviamente, não é uma candidatura socialista e permite a João Semedo apresentar-se a ele próprio como o candidato socialista à Câmara do Porto?

Eu julgo que o Partido Socialista fez uma escolha e a escolha fala por si.

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