"Apresento-me como candidata a presidente da Câmara de Oeiras"

Heloísa Apolónia é a cabeça de lista da CDU, a coligação eleitoral entre PCP e o seu PEV, para a Câmara de Oeiras, nas autárquicas de 1 de outubro. Recusando falar das outras candidaturas, quando questionada sobre o regresso de Isaltino Morais, prefere olhar para o futuro e deixar o passado para trás. E para esse futuro assume que parte do mesmo patamar que todos os outros candidatos.

Foi eleita deputada por Setúbal, é do Barreiro, mas é candidata a Oeiras. Não seria mais lógico candidatar-se a uma autarquia na Margem Sul?

Eu tenho uma grande ligação aos distritos de Setúbal e de Lisboa, pela minha vida pessoal e política. Até aos 26 anos vivi ligada a três concelhos em particular - Barreiro, Moita e Montijo. Quando vim, aos 26 anos, para a margem Norte, mantive uma ligação muito estreita também com três concelhos - Lisboa, Amadora e Oeiras. Portanto, Oeiras é um espaço para mim muito familiar. Quando o convite me foi feito, aceitei com grande empenho e alegria, por poder dar um contributo àquele território e àquelas gentes.

Será um terreno difícil?

A dificuldade vai, porventura, decorrer de não termos os mesmos meios que terão outras forças e isso requer um trabalho de terreno muito intenso, de contacto com a população. Não vou apresentar-me ao eleitorado com nenhum interesse obscuro por trás, nenhum interesse instalado por trás, que depois, a partir da eleição, venha pedir favores ou venha pedir privilégios. Apresento-me com um projeto do mais sério que há, com transparência absoluta, que é a Coligação Democrática Unitária (CDU).

Acha que há outras candidaturas com interesses por trás?

Não me vou pronunciar sobre outras candidaturas. Eu apresento-me com base no lema que é tão caro à CDU, do trabalho, honestidade e competência. Isso é fundamental nos mais diversos planos e palcos do exercício do poder e apresento-me como candidata a presidente à Câmara Municipal de Oeiras. Partimos todos do mesmo patamar.

A CDU tem um representante no executivo municipal. Esse objetivo de se apresentar como candidata à presidência é bem ambicioso.

É assim que quero apresentar-me a Oeiras: aquela câmara pode ser uma câmara de gestão CDU, ou seja, uma câmara de rigor nas contas e dinheiros públicos, no cumprimento de compromissos e na transparência.

Quais serão as linhas que identifica como prioritárias?

Aquilo que está bem no concelho, que serve os interesses e a vida concreta da população de Oeiras, nós não vamos reverter, é para continuar. Agora, fazer de Oeiras um concelho de excelência é olhar para todo o território e este concelho tem realidades muito diferentes. Há uma área onde definitivamente o concelho não apresenta nenhuma excelência, que é nos transportes. A mobilidade interna tem carências absolutas, para que as pessoas se possam deslocar a serviços públicos, como unidades de saúde, escolas, mercados... Depois há o desperdício de dinheiro público: qual é a prioridade de construir um edifício brutal para os serviços da câmara, que vai custar cerca de 40 milhões de euros, quando esse dinheiro é tão fundamental para outras questões, quando há carências a nível habitacional, onde é preciso intervir e investir tanto. Há aqui uma questão de prioridades políticas, de rigor na utilização de dinheiros públicos, de que é preciso ter outro olhar.

Como olha para o regresso de Isaltino Morais, que foi presidente da câmara, condenado, cumpriu pena e agora volta a candidatar-se?

Oeiras não deve ser falada por aquilo que é o seu passado. Há uma projeção para o futuro e era tão bom que começasse a ser falada por aquilo que tem de bom. E ajudar a fixar jovens por aquilo que o concelho tem de bom.

Não há o risco de fixar uma população que usa o concelho apenas para dormir, continuando a trabalhar em Lisboa e concelhos limítrofes?

Há uma dinâmica do concelho que deve ser estimulada. A fixação de micro, pequenas e médias empresas, o estímulo ao empreendedorismo, a fixação de postos de trabalho no concelho, é na nossa perspetiva também uma questão fundamental.

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