"Eles rebentam com os bancos e depois vêm dizer que a culpa é minha e da Maria Luís"

Passos ataca "patetas alegres" que acreditam no país descrito pelo governo e alerta que "a austeridade está cá toda"

O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, traçou esta noite no Conselho Nacional do partido um cenário negro do país, alertando que no segundo semestre vão "aumentar os riscos orçamentais para o país", através da "dívida que ainda não é reconhecida". Na intervenção perante os conselheiros, o líder social-democrata alertou que "a conversa de que a austeridade acabou é mentirosa, a austeridade está cá toda".

Passos diz que o país regressou a 2010 na capacidade de se financiar, uma vez que, acredita o presidente do PSD, Portugal só consegue financiamento com o apoio do BCE. Perante os conselheiros, Passos acusou o governo PS de estar a desperdiçar a "janela de oportunidade" que era pequena, mas que existia para o sucesso do país.

Ao traçar o cenário negro do país e da governação de Costa, Passos - que falou, como é hábito, à porta fechada mas cujas ideias principais do discurso foram divulgadas pelo PSD aos jornalistas - atacou os "patetas alegres que acham que isto não existe" e criticou quem acha que o PSD desistiu do país. "Alguém acredita que estamos interessados em ir gerir a bancarrota do país".

Sobre a estabilidade do sistema financeiro, Passos Coelho lembrou que quando tomou posse como primeiro-ministro em 2011, "a situação dos bancos não era má, era péssima", lembrando que os bancos limparam 20 mil milhões de euros de imparidades em quatro anos.

O líder do PSD criticou ainda o facto dos futuros administradores da CGD ainda não terem sido nomeados mas já estarem a ter acesso a informação privilegiada sobre o banco e a negociar com Bruxelas, temendo que alguns não tomem posse e possam voltar para a concorrência.

Passos acusou ainda o governo de estar a prejudicar a estabilidade financeira e afirmou mesmo: "Eles [governo] querem rebentar com os bancos, fazer a vontade ao Bloco de Esquerda e depois querem dizer que a culpa é minha ou da Maria Luís".

O presidente do PSD voltou a falar na unidade da geringonça, dizendo que "o Bloco anda encantado a nomear gente para todo o lado. Agora já se pode nomear à vontade, já não há CRESAP.

Quanto às autárquicas, destaque para uma frase enigmática de Passos, que sugere que pode haver uma crise política antes do último trimestre de 2017, dizendo que "o problema para o país vai colocar-se muito antes das eleições [autárquicas]".

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