Edgar Silva quer um presidente com "coração de carne" e "amante incansável da liberdade"

O candidato comunista teve esta noite um caloroso comício em Faro, com mais de meio milhar de apoiantes a transbordar da sala

Edgar Silva definiu as "marcas distintivas" para o perfil do Presidente da República. "Que tenha uma voz portuguesa, que represente e defenda realmente os portugueses e Portugal e não seja subordinado a interesses estrangeiros"; que "tenha um coração de carne, que não seja indiferente à pobreza, à injustiça e às desigualdades que atingem os portugueses"; que seja "um amante incansável da liberdade, da democracia e dos valores de abril".

A noite do candidato comunista foi em cheio, num auditório onde os 400 lugares sentados se esgotaram rapidamente, obrigando, mais de uma centena de pessoas a ficar de pé. Os apoiantes, que vieram de todos os concelhos do distrito, já estavam bem "aquecidos" quando Edgar começou a sua intervenção. Antes, um grupo de música tradicional tinha levado a sala ao rubro, com os "vivas" das cantigas à desgarrada. Marcelo rimou com "marmelo" (o senhor professor Marcelo/diz ser independente/ele é um bom marmelo/que quer iludis a gente) e Edgar com "desejar" (muita saúde para o Edgar/que é natural da Madeira/e ainda quero desejar/sucesso na sua carreira).

Bem animada pelo ritmo do grupo Flor de Lis, que fez vibrar a audiência, ao som de acordeão, pandeiretas, castanholas e ferrinhos, Edgar Silva não teve grande dificuldade em agarrar a sala. Teve ali uma boa oportunidade para mostrar que "a dinâmica de apoio" à sua candidatura "está em crescendo", uma "linha de entusiasmo e mobilização que as sondagens não conseguem captar". O candidato acredita que "há sementes de esperança impossíveis de não dar fruto, sementes de abril, que nenhuma sondagem consegue captar". E questiona? "Mas quem consegue ver sementes? Ninguém. Esse germinar é intenso mas nem sempre explosivo". Conta que aprendeu uma palavra "nova e bonita" neste seu dia de campanha algarvia. "atibar" e explica: "é de origem árabe e significa que está a fermentar, em crescendo. É este atibar da história que não se pode parar. As sementes de abril (de 4 de outubro) vão dar frutos a 24 de janeiro".

A regionalização foi o tema político do dia e também esteve presente nesta intervenção. Edgar Silva defende a "urgência" da descentralização para responder às necessidades locais e valorizar os recursos, competências e produção de riqueza. O candidato quer um Presidente "mais próximo" destas realidades, "atento e interventivo" em relação aos problemas das pessoas. Serviços de saúde; desenvolvimento económico não exclusivamente dependente do turismo; e o direito à mobilidade, colocando-se um fim à "canga", das portagens da via do Infante, é o que defende para o Algarve, como prioritário. Nesta fase levantou grande aplauso.

No final, mais um veemente apelo contra a abstenção, pela sobrevivência das tais "sementes de abril". Apesar das sondagens continuarem a dar vitória à primeira volta a Marcelo Rebelo de Sousa, o candidato mostra-se convicto de que nada está decidido, "não são favas contadas e se calhar há excesso de confiança nas sondagens". De braços levantados, exulta a multidão. "Não nos podemos resignar a escolher do mal o menor. É tempo de opções, de decidir. É tempo de ir procurar todos aqueles que têm fome e sede de justiça, que têm chispas de abril e fogo de liberdade dentro deles, e trazê-los para votar dia 24. Para que o novo seja possível em Portugal", declara.

Antes de terminar, a sala já estava de pé a agitar bandeiras. Cantou-se o hino nacional e no fim, ninguém arredou pé. As bandeiras continuaram a brandir no ar, os aplausos a ecoar e a ouvir-se ruidosamente "Edgar avança! Com toda a confiança".

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