Edgar Silva quer reforço de meios da PJ para o combate à corrupção

O candidato comunista encerrou o dia de campanha com um comício em que a corrupção esteve na agenda

"Um dos maiores achaques à credibilidade da democracia, que mata, que descredibiliza as instituições". É o que Edgar Silva pensa da corrupção e disse-o às cerca de três centenas de apoiantes que esgotaram o auditório do comício em Aveiro. O combate a este crime esteve em destaque esta noite e o candidato comunista indicou medidas concretas para este "problema sistémico que se enraizou como vício na democracia" e "não sendo a causa da crise económica em muito contribuiu para o seu agravamento".

O candidato comunista exige "meios de investigação criminal que acabem com o controlo governamental sobre os processos investigados e um "reforço dos meios e capacidade de investigação da Polícia Judiciária". Edgar Silva disse ainda ser necessária uma "maior autonomia do Ministério Público, ao contrário do que acontece hoje", mas sem concretizar com casos concretos que ilustrem essa falta de independência. Ainda para o combate a corrupção que, no seu entender, "deve estar na linha da frente das prioridades de um Presidente da República", o candidato defende "o fim do sigilo bancário", essa "grande armadura de opacidade para resguardar as traficâncias". Medidas "urgentes", de combate ao crime económico e financeiro, à evasão e fraude fiscal, às off-shores e um novo regime de incompatibilidades e impedimentos, mais apertado, para titulares de cargos públicos, incluindo os deputados, são outras ideias da candidatura comunista.

Nesta sua última intervenção do dia, Edgar Silva assinalou também a sua posição sobre a renegociação da dívida, deixando clara a já conhecida "fratura" com o PS nesta matéria. "O encargo de juros anual da dívida é de 8 mil milhões de euros, para pagar a agiotas e especuladores. Um financiamento que nos faz tanta falta para investir no desenvolvimento do país. No nosso orçamento há 3 mil milhões previstos para investimento público", destaca. "Que país pode afirmar o seu direito de desenvolvimento com este constrangimento?", interrogou. Edgar Silva lembrou que "o crescimento económico" é um dos "pilares" da sua candidatura, mas que "só é possível com dinheiro público". E "onde se vai buscar esse dinheiro?", perguntou retoricamente, "com combate ao despesismo, com a renegociação da dívida, com uma política fiscal mais justa", juntamente com a já referidas medidas de combate à evasão fiscal e à corrupção, "outro cancro por onde parte dos dinheiros públicos são escoados".

No início da intervenção, recordou o dia de campanha de hoje, dedicado aos problemas laborais, à precariedade e à "exploração" dos trabalhadores, situações "legalizadas" com a legislação aprovada pelo anterior governo. "Numa das empresas, com graves problemas de precariedade, havia um torniquete estreito por onde passavam os trabalhadores. Era apertado, como se a dizer-lhes, ali todos os dias, que era assim a sua vida, limitada, sem esperança. Não foi para isto que se fez o 25 de abril, não foi para isto que se aprovou a Constituição da República Portuguesa".

A assinalar os 100 dias das eleições de 4 de outubro, da "derrota da direita", o candidato destacou pela "positiva" a nova maioria na assembleia da república que "permitiu já dar sinais de reconquista de direitos e reposição de rendimentos dos trabalhadores". No próximo dia 24, alertou, "é preciso dar continuidade a essa esperança que se abriu, a um novo patamar de progresso económico e dos valores da democracia". A "vitória da esperança iniciada a 4 de outubro, não pode parar", asseverou, apelando depois à "mobilização de todos" para "impedir que a candidatura apoiada pelo PSD e CDS vença e que tudo volte para trás".

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