Edgar Silva: "Não se pode adiar a vida. Tudo se decide no dia 24"

O candidato comunista começou o dia na margem sul. Feijó e Laranjeiro, no território "camarada" de Almada. Ofereceu cravos, por abril.

Trânsito cortado, carro patrulha da PSP à frente, cerca de duas centenas de apoiantes de Edgar Silva não pouparam a voz a gritar palavras de ordem, apesar da manhã ventosa e de chuva. O que rima com Edgar Silva? "Edgar, avança! Com toda a confiança!, "Abril presente! Edgar a presidente!" dominaram os ruídos da rua, durante a cerca de uma hora que durou o trajeto. O candidato comunista à Presidência da República (PR) depressa gastou o molho de cravos (oferta de uma florista da rua que é militante comunista) que ia entregando nas mãos dos populares. Mulheres, homens, jovens, idosos, sem distinção. Edgar é recebido com sorrisos de quase todos, ou não estivesse em território "camarada". Ao seu lado esteve sempre Joaquim Judas, o presidente comunista da Câmara do Almada, que lhe vai apresentando comerciantes e outras pessoas que passavam e faziam questão em dar-lhe apertados abraços. "Tenho a impressão que vamos ter muita força", atira, com ar confiante Fernando Abreu, de punhos cerrados, enquanto envolve Edgar Silva num abraço sentido.

À porta de uma pastelaria estão Etelvina, Ernestina e Ricardina, à espera do "camarada presidente". "Não nos deixamos enganar, na hora certa sabemos bem onde pôr a cruz. A direita não volta para lá", diz Etelvina Teles, decidida, enquanto ajeita o lenço ao pescoço. As outras mulheres, todas na casa dos 60 anos, acenam afirmativamente com a cabeça. Vem Edgar e têm direito a dois beijinhos cada uma.

O candidato comunista está à vontade no contacto com as pessoas e tenta mostrar confiança. O apelo ao eleitorado comunista e aos abstencionistas é o principal objetivo. "Não de pode adiar a vida", salienta, aos jornalistas, "Já não é a primeira vez que se deitam foguetes antes da festa e depois alguém se vê na contingência de ter de ir apanhar as canas. Tudo se vai decidir no próximo dia 24". Desvaloriza a sondagem (Correio da manhã), que lhe dá menos de 3% das intenções de votos, quando questionado. "Quem tem andado na rua sente um grande acolhimento nas palavras sinceras e no afeto. Nada está decidido. Está tudo em aberto. O povo é que decide e o povo ainda não votou", sublinhou.

Num pequeno comício, no final da arruada, Edgar Silva volta a assinalar a importância de votar nas eleições presidenciais, mas votar "contra o candidato apoiado pelo PSD e CDS" (Marcelo Rebelo de Sousa). "Este ciclo de esperança que se abriu nas eleições do passado dia 4 de outubro, não se pode fechar agora", sublinhou, "está nas nossas mãos impedir que o candidato apoiado pelo PSD e pelo CDS recupere a parcela do poder que a direita perdeu. Não podemos voltar à exploração e ao empobrecimento. Esta é a hora decisiva. Não deixem para outra oportunidade. Dia 24 é o dia decisivo. Avisem todos!".

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