Edgar já deteta "sinais negativos" no novo "quadro político"

O candidato comunista continuou durante a tarde na margem sul. Depois de Almada, de manhã, rumou ao "camarada" concelho de Palmela

Edgar Silva começa sempre por destacar, nas intervenções ou curtas declarações que vai fazendo ao longo do dia, os "aspetos positivos" que estão a resultar do "novo quadro político", referindo-se ao acordo de esquerda que apoia António Costa no governo. O previsível regresso das 35 horas de trabalho para a função pública e o anúncio da construção do novo hospital do Seixal ("há tantos anos ansiado por toda a região) são exemplos referidos. No entanto, ao final desta tarde, depois de uma arruada no Pinhal Novo, Edgar Silva avisou que não se pode estar "anestesiado".

"Há outros sinais que temos de acompanhar com atenção", sublinhou, "como é o caso do anúncio da privatização da CP-Carga, um plano que já vinha do anterior governo". Para o candidato presidencial comunista "é um sinal de preocupação" e promete "como candidato e depois como Presidente da República (PR) a defesa das empresas públicas e do interesse público. Tudo devemos fazer para não ficar anestesiados e deve haver uma mobilização reivindicativa com muita força".

O passeio pela vila foi tranquilo e amistoso para o candidato, ou não fosse o Pinhal Novo uma freguesia comunista, como todas as outras do concelho de Palmela. Deu uma tacada de bilhar (falhou o buraco), meteu-se com jogadores de sueca e interrompeu a cerveja bebida com avidez à porta de vários cafés e bares que onde ia passando. A todos entregava um panfleto da candidatura. "É informação para ler, refletir e votar bem", explicava. Numa pastelaria, onde se respirava um ar invadido pelo cheiro a bolos e pão quente, André Torres, que estudava física de partículas no seu computador, ficou surpreendido pela comitiva. Recebeu a "informação" e continuou a trabalhar.

O grupo, com cerca de meia centena de pessoas empunhando bandeiras de Portugal e da candidatura, percorreu as ruas principais, guiados por Ana Teresa Vicente, atual presidente da Assembleia Municipal de Palmela e o presidente da Câmara, Álvaro Amaro.

Algumas horas antes, depois de um almoço na sede do Independente Futebol Clube Torreense, no Seixal, Edgar Silva, talvez inspirado nas músicas de Zeca Afonso cantadas e tocadas no palco, dedicou boa parte da sua intervenção a salientar um dos "grandes objetivos" da sua candidatura, que é impedir que Marcelo Rebelo de Sousa ganhe à 1ª volta. "É preciso garantir que este tempo novo, seja mesmo um tempo novo. É preciso interromper este processo, que se instalou nos últimos anos, nos mandatos de Cavaco Silva, cuja natureza política conduziu o país ao empobrecimento e à exploração. Importa ter bem claro quem é o nosso adversário e tudo fazer para que impedir a direita de colocar, como o apoio de Passos Coelho, Paulo Portas, Cavaco Silva e agora também Durão Barroso, o seu candidato no poder".

Edgar Silva assinalou a "técnica do disfarce" de Marcelo Rebelo de Sousa, que "agora até finge que não conhece Cavaco Silva nem o PSD de lado nenhum". E ironizou: "qual é o democrata, a mulher ou homem de abril, o patriota, que quer ver o seu voto misturado com o de Passos, Portas, Cavaco e Barroso?". O candidato comunista voltou a chamar a atenção para os abstencionistas e ao "perigo" que representa as pessoas aderirem ao que chamou o "atentismo". "Há por aí muita gente que vai dizendo que estão atentas, que vão observando, numa atitude de "atentismo", como se fossem treinadores de bancada e que, na 2ª volta que contemos com elas", sublinhou. "Esta atitude comporta um grande risco", avisou, "esse "atentismo" é uma ameaça à democracia e pode ser um erro político irreparável. É preciso alerta toda a gente que é agora, agora no dia 24 que tudo se decidirá" e repetiu a frase que se está a tornar num lema desta sua campanha: "não se pode adiar a vida, não se pode adiar o amor, não de podem adiar as opções", numa adaptação, ao momento político, de um poema de António Ramos Rosa (... não posso adiar para outro século a minha vida / nem o meu amor / nem o meu grito de libertação...).

A terminar o almoço-comício começou a ouvir-se nas colunas "A Internacional". Quanto todos começavam a cantar a primeira frase, "de pé ao vítimas da fome", a música foi abruptamente interrompida. "A portuguesa" começou a tocar e todos cantaram também. Mas o hino nacional foi cantado de punho erguido.

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