Diretores de escolas públicas pedem mais agentes e meios

Prevenção e pedagogia. Os responsáveis das escolas elogiam os benefícios do Programa Escola Segura da PSP, que completou 25 anos em 2017

A única queixa que os diretores de escolas públicas têm para fazer em relação ao Programa Escola Segura da PSP, iniciado em 1992, é ter carência de meios e de recursos humanos. Mas a sua importância preventiva é assinalada pelas associações que congregam estes responsáveis. Na escola básica Dr.Costa Matos, em Vila Nova de Gaia, a PSP é presença frequente há anos, mas a filosofia do estabelecimento é a de que todos devem zelar pela segurança do espaço. "Cada funcionário tem uma arma: o intercomunicador", afirma Filinto Lima, diretor da escola pública e presidente da ANDAEP (associação nacional de diretores de agrupamentos e escolas públicas).

"Se o funcionário da portaria se aperceber de que pode estar a acontecer uma rixa no recreio avisa o auxiliar vigilante pelo intercomunicador. Temos um funcionário permanentemente no recreio atento a tudo o que se passa".

Num recinto escolar frequentado por 1100 alunos as preocupações com o bem estar de todos sempre foram valorizadas. "Temos cinco câmeras de videovigilância nos recreios. Não gravam, filmam em direto em tempo real e as imagens são visualizadas por um funcionário que está na portaria com um monitor".Até agora a polícia só foi chamada duas vezes, sempre por factos ocorridos fora do recinto escolar. "O que queríamos é que os recursos humanos e físicos da Escola Segura fossem reforçados. Por exemplo não faz sentido uma patrulha de dois agentes ter de patrulhar 10, 20 escolas e andar a pé e isso acontece em algumas zonas".

Filinto Lima garante que "atualmente muitos dos problemas são trazidos de fora da escola para dentro e estão muito ligados aos contactos dos alunos nas redes sociais. Há muito o cyberbullying, humilhações e insultos na internet".

O representante dos 811 diretores de escolas públicas no país destaca ainda a importância da formação que os agentes da PSP Escola Segura dão, em sala de aula, aos alunos "sensibilizando-os para problemas como o bullying ou o abuso de drogas".

Longe da insegurança das periferias dos grandes centros urbanos está António Pereira, diretor de uma escola TEIP (território educativo de intervenção prioritária) em Cinfães do Douro e presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE) . "Os problemas que temos relacionam-se com aprendizagem e não com insegurança". Com a PSP a parceria corre bem, garante. "Os agentes por vezes entram mesmo na escola e vêm falar connosco, para além de fazerem a vigilância habitual no perímetro ". Aponta apenas a falta de recursos. "Aqui na zona há vários agrupamentos escolares e apenas uma equipa da Escola Segura . Os polícias queixam-se quase sempre da falta de recursos humanos porque alguns deles têm de ser desviados para outras atividades fora do Programa".

O presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais, Jorge Ascenção, realça que "as escolas têm os problemas que a sociedade tem. O programa Escola Segura foi dissuasor da criminalidade como é a polícia nas ruas". Mas destaca que a sua importância não é só na prevenção. "Trabalhamos em conjunto com a PSP para fazer sessões de esclarecimento sobre alguns sinais de alerta para fenómenos que emergem como o cyberbullying. Do que conhecemos, os agentes estão bem preparados para a função, por vezes não existem é em número suficiente".

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