Mandatária de Marcelo mudou a forma de tratar o coração dos bebés

Maria Pereira, 29 anos, é defensora do sistema de ensino público que já lhe permitiu ser distinguida como uma das jovens de maior talento mundial na área dos cuidados de saúde

A jovem investigadora Maria Nunes Pereira, mandatária nacional da candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa, chefia o departamento de pesquisa da biotecnológica francesa Gecko Biomedical.

Com 29 anos, Maria Pereira é a responsável pela linha de produtos adesivos daquela empresa de aparelhos médicos, a par da "tradução" das novas tecnologias de investigação para a indústria.

Marcelo Rebelo de Sousa, ao apresentar na segunda-feira a investigadora como sua mandatária, enfatizou que ela representa a aposta na educação e na ciência - em nome das quais foi distinguida em 2014 pela revista MIT Technology (na sua edição anual de inovadores com menos de 35 anos) e, neste ano, pela revista Forbes como uma das jovens de maior talento a nível mundial na área dos cuidados de saúde.

Para isso contribuiu o desenvolvimento de um adesivo biodegradável que atua como cola e permite reparar defeitos cardiovasculares - substituindo as tradicionais suturas e reduzindo a necessidade de intervenções cirúrgicas invasivas - em bebés. Note-se que, segundo os dados disponíveis, seis em cada mil nascimentos apresentam esse tipo de problemas. "É uma honra muito grande, mas sobretudo um reconhecimento do trabalho que foi feito. A tecnologia que desenvolvi tem um enorme potencial para transformar a maneira como se faz a cirurgia hoje", explicou então Maria Pereira ao DN.

É licenciada em Ciências Farmacêuticas pela Universidade de Coimbra (2007) - tendo recebido o prémio de melhor aluna durante quatro anos consecutivos - e doutorada em Boston, no âmbito da parceria com o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), EUA.

Os seus estudos no MIT centraram-se nos Sistemas de Bioengenharia, com especial destaque para o desenvolvimento de soluções para problemas clínicos ainda sem solução no campo da adesão de tecidos. Maria Pereira começou depois a trabalhar, em 2012, no departamento de produtos químicos da farmacêutica portuguesa Hovione, donde se transferiu para a francesa Gecko Medical.

Defensora do ensino público

Confessando-se surpreendida com o convite para mandatária nacional de Marcelo Rebelo de Sousa, Maria Pereira disse tê-lo aceitado "por uma questão de responsabilidade cívica [e] para promover a aproximação dos jovens à política".

A investigadora, que o DN não conseguiu contactar, assumiu-se como defensora do ensino público português no encontro com os jornalistas durante a sua apresentação como mandatária de Marcelo Rebelo de Sousa: "Estou fora, mas estudei sempre em Portugal. Nós temos um sistema de ensino muito bom, público, que tem de ser preservado, que tem de ser melhorado - tudo o que existe tem de ser melhorado."

"Atingi elevados graus de formação académica, sempre ao abrigo do sistema público português", realçou a jovem investigadora que cresceu em Leiria, assinalando que a sua geração é provavelmente "a mais qualificada de sempre" em Portugal - país onde "falta massa crítica económica capaz de gerar emprego, criar valor no país e conseguir integrar os jovens e também os menos jovens no mercado laboral".

Agora à frente do departamento de investigação da Gecko Biomedical, companhia francesa que atua na área da medicina regenerativa, Maria Pereira concebeu a referida cola biodegradável com uma outra característica: só é ativada por ação da luz, permitindo dessa forma evitar cirurgias muito invasivas ao coração.

Esse adesivo biodegradável para corrigir deformações congénitas no coração dos bebés substitui os pontos e encontra-se atualmente em fase de ensaios. Estes, se forem bem-sucedidos, permitirão disponibilizá-lo talvez em 2017.

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