CDS quer acareação entre Jorge Gomes e coronel da Proteção Civil

Os centristas querem esclarecer dúvidas e contradições surgidas depois da divulgação dos relatórios dos fogos de 2017

O CDS quer provocar uma acareação entre o ex-secretário de Estado da Administração Interna, Jorge Gomes, e o ex-comandante operacional da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), tenente-coronel Albino Tavares. O ex-governante acusou o oficial da GNR de ter mentido à Comissão Técnica Independente (CPI) quando disse que, nos fogos de outubro, a ANPC tinha pedido reforço de meios para combater os incêndios e que o governo os tinha negado.

O deputado Telmo Correia, coordenador do partido para a Segurança Interna, avançou ao DN que o requerimento, que deu entrada na primeira comissão esta terça-feira, pede que seja ouvido "um conjunto de entidades e pessoas" para "esclarecer dúvidas e contradições que surgiram no âmbito dos relatórios da CPI. Um dos casos é "a contradição entre o coronel Albino Tavares, que era o comandante operacional da ANPC nos incêndios de outubro (e o 2ºcomandante em Pedrógão), que disse à CPI que o governo recusou pedidos de mais meios, e o ex-secretário de Estado que garante que isso não aconteceu". Para o deputado " isto é de uma enorme gravidade" e "é preciso esclarecer tudo muito bem". O CDS requereu a audição do coronel e "vai convidar a estar presente o atual deputado Jorge Gomes". Ainda mais "se justifica", sublinha Telmo Correia, "porque, entretanto se veio a saber que, esse mesmo coronel foi, em fevereiro, nomeado pelo ministro da Administração Interna, para a ANPC, onde é adjunto do presidente (Mourato Nunes)".

Conforme noticiou o DN no passado fim de semana, este oficial da GNR, que Eduardo Cabrita nomeou, numa comissão de serviço de três anos, é o mesmo que segundo o relatório da CPI, mandou parar os registos de alertas na fita de tempo da Proteção Civil, na fase mais crítica dos incêndios de Pedrógão, na noite de 17 para 18 de junho. Albino Tavares era o comandante das operações e o 2º comandante operacional nacional (CONAC) da ANPC. Depois ascendeu a número um, interino, até novembro passado, quando o novo CONAC, António Paixão, foi nomeado.

O DN tentou saber junto da ANPC e do gabinete do ministro da Administração Interna se, depois de ter sido conhecida a atuação do oficial em Pedrógão, através do relatório da CPI, tinha sido instaurado alguma processo de averiguações ou inquérito disciplinar, mas não obteve resposta até ao momento. A CPI assinalou que a ordem de Tavares, além de contrariar procedimentos definidos, "pode subtrair à fita do tempo do SADO (Sistema de Apoio à Decisão Operacional) informações que poderiam ser importantes para a compreensão dos acontecimentos" daquela noite trágica.

Além desta acareação, o requerimento da bancada centrista solicita também que sejam ouvidas outras três pessoas: o próprio ministro Eduardo Cabrita "para esclarecer as contradições" do caso Albino Tavares; o presidente do IPMA "para explicar como foram divulgados e articulados com a ANPC as previsões meteorológicas"; e o presidente da Liga de Bombeiros "para falar sobre a profissionalização proposta pela CPI".

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