Desconto na A24 é apenas um "analgésico"

Empresários de Vila Real defende que desconto de 15% "não se está a combater a doença"

A Nervir -- Associação Empresarial de Vila Real disse hoje que o desconto de 15% nas autoestradas é "bem-vindo" mas considerou que se trata "apenas de um analgésico" para ir colmatando os problemas desta região do Interior.

"É um analgésico. Não se está a combater a doença mas apenas a acalmar um pouco a dor", afirmou hoje à agência Lusa o presidente da Nervir, Luís Tão.

O Governo anunciou hoje a aplicação de 15% de desconto a todos os veículos que circulem, a partir de 01 de agosto, em algumas autoestradas, vias maioritariamente localizadas no interior do país e no Algarve.

No distrito de Vila Real, os descontos estendem-se à A24, entre Viseu e a fronteira de Vila Verde de Raia, no município de Chaves, e a um pequeno troço da A4, denominada Transmontana, junto à sede de distrito. Ainda na A4, no Túnel do Marão, recentemente inaugurado, o preço praticado já abrange os 15% de desconto.

Luís Tão afirmou que o desconto é "bem-vindo" e é "uma pequena ajuda" para as empresas da região e os seus utentes, que há anos se queixam de pagar as portagens "mais caras do país" ao circularem na A24.

"São alguns tratamentos que escondem a dor, mas não resolvem a infeção. Desejava um desconto maior, mas não esperava mais", reforçou.

O empresário continua, no entanto, a defender a isenção de portagens pelo período correspondente ao atraso que existe neste território.

"Dever-se-ia avaliar o atraso desta região e se avaliássemos que 30 anos é o valor do atraso, nós durante esses 30 anos não devíamos ter de pagar portagens", sustentou.

E continuou: "neste momento, vemos que é tudo a encarecer os custos de produção e, se os conseguirmos baixar, mais concorrenciais e competitivos serão os nossos produtos e as nossas empresas".

Em Trás-os-Montes e no Douro, os principais produtos exportadores são o granito e os vinhos.

A Associação dos Industriais do Granito (AIGRA), com sede em Vila Pouca de Aguiar, classificou os descontos anunciados pelo Governo "como um pequeno grão", pelo que os empresários ligados ao setor "ficaram um pouco desiludidos".

"Claro que estávamos à espera de mais. Estávamos à espera que houvesse uma discriminação positiva para estas empresas que estão sediadas aqui no interior e era essa a ideia que com que nós ficamos", afirmou à Lusa o presidente da AIGRA, Domingos Ribeiro.

O responsável lembrou que a introdução de portagens na A24, que liga Viseu a fronteira, em Chaves, veio agravar as dificuldades do setor, principalmente neste interior do país onde se paga o "preço mais alto por quilómetro do país".

Estas portagens foram, na opinião do responsável, "um duro golpe" para as empresas do interior".

"Esta autoestrada já veio tarde. Mas pronto, chegou tarde mas chegou. Mas, pouco tempo depois, sofremos outro revês que foi a portagem. É óbvio que isto é tudo prejudicial. Ainda por cima a única alternativa é a também complicada Estrada Nacional 2", salientou.

O presidente da AIGRA referiu que as portagens representam um peso de "3 a 5%" nas despesas das empresas.

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