Derrota de Georgieva é também de Merkel

A Alemanha patrocinou a candidatura de última hora da búlgara Kristalina Georgieva, com o apoio de países como a Hungria.

A dimensão da derrota da búlgara Kristalina Georgieva traduz também a da alemã Angela Merkel "e de todas as manobras de bastidores" para minar a candidatura de António Guterres, considerou a especialista Mónica Ferro.

"Berlim fica irreparavelmente ligada à derrota de Kristalina Georgieva", por julgar que "podia derrotar António Guterres", insistiu a professora universitária. "Se Angela Merkel queria mesmo uma mulher de Leste" à frente da ONU, "teria apoiado uma das que já estavam" na corrida, adiantou.

Aparentemente mais diplomático mostrou-se o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, sobre aquela jogada de última hora: "Uso a mesma palavra que escolhi para título de um artigo que escrevi para o DN: serenidade. Ao longo de todo o processo sempre tivemos total confiança no nosso candidato, na nossa candidatura e, sobretudo, na completa lisura de processos que cumprimos."

Mónica Ferro confessou ainda surpresa pelo resultado de Georgieva - "teve um número impressionante de votos negativos [oito] e ficou três lugares atrás de Irina Bokova" - por a sua entrada tardia deixar antever uma negociação prévia de acordos. Assim, "acaba por ser uma vitória dos valores contra uma decisão de realpolitik e que revela" que os seus promotores "não percebem nada da ONU".

A ONU tem 71 anos, um orçamento superior a 13 mil milhões de euros e cerca de 105 mil capacetes azuis espalhados pelo mundo.

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