Deputados queriam Acordo vigiado. Governo recusou

Transição de seis anos termina hoje. Portugal é o primeiro dos oito países da lusofonia que abandona por completo a velha grafia.

Projecto. A partir de hoje esta palavra já não pode ser escrita com o "c" mudo em documentos oficiais. Seis anos depois da entrada em vigor do Novo Acordo Ortográfico (NAO) termina o período de transição em que as duas grafias eram aceites. Mas a chegada deste prazo não acalmou os críticos. Para evitar problemas na aplicação da nova escrita, o Parlamento recomendou ao governo, no ano passado, a criação de um grupo de trabalho que acompanhasse todo o processo. Mas o governo decidiu não constituir esse grupo de trabalho e nem produziu o relatório que era pedido pelos deputados. Além disso, ao Parlamento continuam a chegar petições contra a nova escrita.

Os deputados que propuseram ao governo a constituição deste grupo não percebem por que é que o mesmo nunca foi constituído. José Ribeiro e Castro, um dos três autores, lembra que o objetivo era que "se acompanhasse os problemas da aplicação do acordo para prevenir problemas maiores". "Seria útil que tivesse havido essa abordagem das questões técnicas", defende o deputado do CDS-PP. Outro dos subscritores, o social-democrata Mota Amaral, limita-se a referir que a questão ficou "estagnada. A nossa recomendação tanto quanto sei não teve andamento".

O DN tentou perceber junto da Presidência do Conselho de Ministros, órgão que deveria tutelar o grupo de trabalho, se efetivamente este tinha sido criado. O gabinete do ministro Marques Guedes reencaminhou a questão para a secretaria de Estado da Cultura, que até à hora de fecho da edição não respondeu.

O linguista e um dos autores do NAO, João Malaca Casteleiro, desvalorizou, no entanto, esta falta de acompanhamento. "A questão está a ser seguida pelo Instituto Internacional da Língua Portuguesa, criado no âmbito da CPLP [Comunidade dos Países de Língua Portuguesa] e essa supervisão de todos os países é suficiente".

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