Deixar amamentação no regresso ao trabalho? Não, mas é difícil

OMS defende a amamentação exclusiva até aos 6 meses. As mães e os filhos agradecem mas o problema está em conciliar isso com a vida familiar

A enfermeira Maria Teixeira não esperava tamanha reação ao denunciar que teve de espremer as mamas para provar que amamentava. Críticas, inquéritos e condenações que saltaram fronteiras e chegaram ao Parlamento Europeu. Mas a única coisa que Maria quer é trabalhar e dar mama ao Gonçalo, de 14 meses, até "um dos dois querer". Têm conseguido, apesar das dificuldades. Eles e muitas outras famílias.

"Não esperava esta mediatização toda", reconhece. Maria Teixeira, 34 anos, é mãe pela primeira vez e teve muitos receios quanto à amamentação no início da gravidez. "Há imensos mitos, pensava que não ia ter leite." Os técnicos de saúde tranquilizaram-na e tem amamentado o filho em regime de "livre demanda" e em exclusivo até aos 6 meses. "É fácil desde que não se introduza outro leite e se passe tempo com a criança", diz esta mãe que aconselha persistência, paciência e vontade. "Querer é poder, consegue-se tudo."

A livre demanda significa que o bebé mama quando quer e o tempo que quiser, o que segundo Rosalina Barroso, responsável pela secção de neonatologia da Sociedade Portuguesa de Pediatria, "garante que o bebé se alimenta de acordo com as suas necessidades" e "é a única forma para ter a certeza de que recebe todo o leite de que precisa".

Cinco meses de licença de parto pagos a 83% e dispensa de duas horas diárias até a criança mamar, independentemente da idade, são direitos consagrados a partir de 2009, já os filhos de Marta Cruz eram crescidinhos. Tem 44 anos e é mãe do Miguel ,de 14, do António, de 11,e do Francisco, de 8 anos. O primeiro mamou até aos 9 meses, o segundo até aos 6 e o último um ano. "Com o alargamento da licença, é muito mais fácil para quem quer amamentar em exclusivo até aos 6 meses. Não é só o trabalho, é a cabeça que está em outro lado, a pessoa que está cansada ...", lembra Marta Cruz.

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