"Defendo uma Europa mais pensada e ponderada"

O presidente do PSD defende "mais Europa mas mais devagar"

Rui Rio chegou ontem, quarta-feira, a Bruxelas e, em entrevista ao DN, falou do seu pensamento sobre a Europa e colocou-se ao lado de António Costa na defesa do aumento das contribuições dos Estados membros para o orçamento da UE.

É favorável ao aumento das contribuições para o orçamento da União Europeia?

Temos estado em conversações com o governo no sentido de tentar reforçar a posição de Portugal na UE. A última coisa que nos interessa é que o orçamento baixe por via da saída do Reino Unido. No limite, se não for de outra forma, é preferível que aumente o contributo dos Estados membros para o orçamento comunitário. Com isso Portugal ganha. Mas temos tentado fazer propostas para que as receitas do orçamento comunitário subam de outra forma.

Quais?

Por exemplo os lucros do Banco Central Europeu poderem ser incluídos no orçamento europeu. Outra forma era aplicar taxas sobre as plataformas digitais. Não são impostos. Pois o lançamento de impostos é uma soberania que cabe aos parlamentos nacionais.

É a favor de uma dotação de recursos próprios?

O que está em causa é o interesse de Portugal. E o que queremos é que o país receba pelo menos o mesmo que está a receber no atual quadro comunitário de apoio. É nesse sentido que queremos apoiar, na medida do possível, a posição do governo português. Não fazia sentido o contrário. Senão estaríamos contra o interesse nacional.

Acredita que será possível evitar cortes na política de coesão e na política agrícola comum?

Portugal deve lutar até ao fim. Estamos a dar o nosso apoio ao governo para que haja mais força da parte de Portugal, para que, a haver cortes, não sejam na política de coesão.

Devem ser mantidas as novas políticas da UE? Mais intervenção na segurança, na defesa ou nas migrações?

Penso que sim. A política de segurança, de defesa, está a avançar. Não estamos ao nível de um exército europeu, mas está a haver maior cooperação. Temos naturalmente o problema das migrações e da proteção das fronteiras, que é vital. Não podemos dizer que não se faz porque não há dinheiro. Temos de arranjar maneira de o fazer.

Quando olha para os cinco cenários propostos pela Comissão Europeia para o futuro da Europa, que futuro defenderia para a UE?

Defendo mais Europa mas mais devagar. Mais ponderada e mais pensada. Mais Europa mas a um ritmo daquilo que for possível em termos de integração dos países como um todo. Porque há uma distância brutal entre alguns países do Sul da Europa para outros países do Norte da Europa. Portanto, é difícil construir uma Europa com estas assimetrias tão grandes. E depois no quadro do euro, que é outra realidade dentro desta, ainda há outras assimetrias assinaláveis e mais fáceis de notar. Basta pensar em Portugal e na Grécia versus a Alemanha.

Teme que estes temas incorporem os discursos dos movimentos populistas antieuropeus?

Costumo citar o antigo chanceler alemão Helmut Schmidt, que dois ou três anos antes de falecer dizia que não se admirava muito se a Europa viesse a ter uma revolução. Admito que isso seja uma coisa muito forte e que não estejamos tão perto de isso acontecer. Quero dizer que boas ideologias tradicionais conseguem encontrar respostas para os novos problemas e para a nova sociedade em que vivemos, então isto fica de certa forma descontrolado, como em parte está. E tanto podem aparecer movimentos de extrema-direita ou de outra coisa pior, que são os movimentos de nada quase despidos ideologicamente. Espero que os partidos mais tradicionais consigam nas próximas eleições europeias atingir um resultado suficiente para que o projeto europeu não seja posto em causa por questões de ordem demagógica.

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