Cristas: "Sou totalmente contra suspensão de fundos"

Líder do CDS dirigiu carta a dirigentes europeus, incluindo Martin Schulz, a pedir que sejam tidos em conta os "sacrifícios suportados pelos portugueses"

A presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, dirigiu uma carta a dirigentes europeus na qual se manifesta "totalmente contra a aplicação de qualquer tipo de suspensão de fundos" a Portugal, matéria que será decidida na segunda-feira em Bruxelas.

"Sou, enquanto líder do CDS-PP, partido que integrou a coligação de Governo durante o período de aplicação do recente programa de reajustamento financeiro a Portugal, totalmente contra a aplicação de qualquer tipo de suspensão de fundos ao meu País, a qual do nosso ponto de vista não se justifica, nem no plano técnico nem no plano político", lê-se na missiva a que o DN teve acesso.

Segundo Cristas, "o passado recente" da governação de direita, "acompanhado de resto pela Comissão Europeia de forma muito positiva, o caminho feito e os sacrifícios suportados pelos portugueses não justificam e tornam politicamente incompreensível esta iniciativa".

Na carta enviada a Martin Schulz, presidente do Parlamento Europeu, Manfred Weber, presidente do grupo parlamentar do Partido Popular Europeu (PPE, a família política europeia de CDS e PSD) e para os presidentes das comissões de Economia e Regionais do Parlamento Europeu, Assunção Cristas reafirma aquilo que já tinha tido "oportunidade de transmitir em julho passado por ocasião do debate sobre a aplicação de sanções a Portugal e Espanha por eventual violação das normas orçamentais".

A líder centrista argumenta que o Governo PSD/CDS, que tomou a responsabilidade "no momento do resgate de 2011", demonstrou "consistência e empenho na aplicação" das suas políticas e conseguiu obter "resultados para além de quaisquer dúvidas". E sustenta: "Tenho pois toda a legitimidade para lhe dizer que esta continuação do processo de julho passado, sobretudo depois do resultado então obtido, não oferece qualquer vantagem política ou económica a ninguém, corre o sério perigo de não ser compreendida pela opinião pública e arrisca-se até a não se enquadrar nos normativos regulamentares em vigor, considerados os dados públicos da execução orçamental deste ano apresentados pelas autoridade portuguesas e as previsões de controlo das contas públicas que o atual governo garante que irá apresentar já 15 deste mês no seu Orçamento do Estado para 2017, tanto ao Parlamento nacional como à Comissão Europeia."

Segundo explicou fonte centrista ao DN, o CDS recusa qualquer corte de fundos, mas "se for preciso defender os interesses do País, lembra que deve ser o Governo em primeira linha a fazê-lo". Assumindo-se como "partido da oposição, mas partido responsável e com sentido de Estado", o CDS diz cumprir assim "a sua parte e por isso assume esta posição pública".

Outras Notícias

Outros conteúdos GMG