Cristas recusa fragilizar Banco de Portugal e discutir nomes

Líder do CDS disse que "muito do ruído que se ouve à esquerda não ajuda a que as instituições sejam reforçadas" e que quer discutir ideias, não nomes

A presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, recusou hoje fragilizar o Banco de Portugal e discutir nomes, defendendo que o momento deve servir para introduzir melhorias no sistema de supervisão, como as saídas das comissões parlamentares de inquérito.

"Para nós, o mais importante neste momento não é fragilizar instituições, é reforçá-las, e reforçá-las faz-se retirando as devidas consequências das conclusões de todo esse trabalho parlamentar", afirmou Assunção Cristas, questionada se o CDS estava arrependido de ter reconduzido Carlos Costa como governador do Banco de Portugal, durante o executivo liderado por Pedro Passos Coelho.

A líder do CDS-PP, que na quinta-feira faz uma interpelação ao Governo sobre supervisão bancária no parlamento, argumentou que "o mais relevante politicamente é utilizar este momento para refletir sobre as melhorias a introduzir ao sistema de supervisão, de maneira a que situações que não correram bem no passado não se voltem a verificar".

"Muito do ruído que se ouve à esquerda, também da área do PS, não ajuda a que as instituições sejam reforçadas. O que vemos é a esquerda preocupada com nomes e não com ideias", acusou, em declarações aos jornalistas durante uma visita ao SISAB, o salão internacional do setor alimentar e bebidas, em Lisboa.

Entre as propostas extraídas de comissões parlamentares de inquérito à banca encontra-se a de os gestores de conta não puderem vender ao balcão do banco produtos de risco desajustado ao perfil de investidor.

"Essas consequências [das conclusões das comissões de inquérito] ainda não foram passadas para letra de lei. É isso que nos interessa, reforçar as instituições, introduzindo melhorias. Esperámos que o Governo o fizesse, o Governo está atrasado, não está a cumprir a sua palavra nesta matéria, mas nós achamos que, positivamente e proativamente, devemos trazer um conjunto de matérias para cima da mesa", disse.

Assunção Cristas confirmou ainda que os centristas voltarão a apresentar a proposta de o governador do Banco de Portugal passar a ser nomeado pelo Presidente da República, sob proposta do Governo e com audição no parlamento, mesmo que possa ser precisa uma revisão da Constituição.

"A doutrina divide-se. Nós faremos a proposta e estamos abertos a toda a discussão que ela vier a suscitar", disse a líder centrista sobre a eventual necessidade de rever a Lei Fundamental para concretizar essa proposta.

As mudanças na supervisão bancária e na forma de nomear o governador do Banco de Portugal estavam entre as prioridades definidas por Assunção Cristas no discurso de encerramento do Congresso que a fez líder do CDS, há quase um ano, em Gondomar.

Assunção Cristas insistiu que "o CDS sempre teve uma posição muito clara ao longo dos anos, de grande escrutínio e também de alguma crítica, quando entendeu que era de ter uma atitude crítica, da atuação do Banco de Portugal".

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