Cristas quer teste à sua liderança nas primeiras eleições

Mãe, mulher, académica, líder partidária. Com Assunção Cristas o CDS entrou numa nova era, sem Paulo Portas

Seja em legislativas antecipadas, seja nas eleições autárquicas no final de 2017, Assunção Cristas está "determinadíssima" a testar a popularidade da sua liderança "à primeira oportunidade", confidenciou ao DN um dirigente do CDS do núcleo próximo da nova presidente centrista. Entre a equipa que agora acompanha Cristas acredita-se que essa oportunidade só chegará com as eleições locais, mas garante-se também que a líder "está a preparar o combate eleitoral em qualquer altura".

No discurso de encerramento do 26.º Congresso do CDS, neste domingo, Cristas deu já os primeiros sinais sobre a estratégia para o novo ciclo político que se abre agora. A sua possível candidatura à Câmara de Lisboa é aceite com "naturalidade" no CDS e a líder assumiu que o partido vai querer "abraçar desafios exigentes". O perfil que traçou do candidato que pretende encaixa no dela na perfeição. "Uma candidatura forte, ambiciosa e mobilizadora que honre o nosso passado autárquico, protagonizado por Nuno Abecassis", disse. E concluiu: "Seria muito bom podermos mostrar numa grande cidade do que é que o CDS é capaz."

"Ambição" foi das palavras mais repetidas nas suas intervenções, seja na forma como assume tranquilamente a "ambição" de conquistar eleitorado ao antigo parceiro de coligação; na "qualidade" das propostas "concretas" para resolver "os problemas das pessoas, que promete apresentar em alternativa às da "governação errática do PS e das esquerdas radicais"; como também nas "pontes" que não hesita em estender aos socialistas para "consensos" em áreas críticas como a da reforma da Segurança Social e do sistema bancário (ver texto ao lado). "Há um provérbio angolano que diz que quem quer andar depressa vai sozinho, quem quer chegar longe vai acompanhado. E eu quero ir longe, muito longe, com o CDS", sublinhou.

Ambição de Cristas: "Quero ir longe, muito longe, com o CDS"

Mãe, mulher, académica, líder partidária aos 41 anos, herdeira de um legado deixado por uma personalidade marcante como Paulo Portas, que esteve ao comando do CDS quase duas décadas, Assunção Cristas assumiu a nova missão como sempre encarou tudo na vida: com muita "serenidade" e "otimismo". Filha do meio de cinco irmãos, disse numa das suas intervenções que esse facto lhe deu ensinamentos muito úteis para a vida. "É preciso muita ponte, muito diálogo, muito consenso."
Foi um "congresso estranhamente sem dramas", como sintetizava Filipe Anacoreta Correia, não escondendo alguma "nostalgia" do tempo em que liderou uma corrente crítica a Paulo Portas, mas a quem Cristas conquistou (integrou o núcleo restrito da Comissão Executiva), num dos muitos sinais que foi deixando ao longo do fim de semana, de que pretendia unir todo o partido. "Há lugar para todos, ninguém está excluído", disse.

De fora da orquestra, que queria afinada e em perfeita sintonia, só ficou mesmo o assumido "irreverente" Filipe Lobo d"Ávila, que arrancou um inesperado resultado histórico com uma lista para o Conselho Nacional, alternativa à de Cristas, com 24% de votos dos congressistas (288). Ironicamente ,"sintonizaram-se" ambos na mesma expressão para comentar o facto: "É sinal da vivacidade do CDS."
A nova presidente do CDS recrutou para junto de si boa parte do núcleo duro de Paulo Portas, entre os quais Nuno Melo, seu ex-potencial adversário na corrida à liderança. Mas também quis renovar, convidando para a Comissão Política personalidades como Adolfo Mesquita Nunes e Cecília Meireles e seis independentes.

Na intervenção de encerramento, sem soundbites de Portas, foi firme nas palavras mas suave no tom, combativa, mas serena. No final, arrancou ruidosos aplausos de pé. Falta saber como será no mundo real. Começou a contagem decrescente para o teste sua liderança. Tiquetaque, tiquetaque.

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