Estabilidade política em causa por divergências com o BE? Costa diz que "não"

O Bloco de Esquerda avisou o Governo de que não poderá ir além dos compromissos assumidos com Bruxelas

O primeiro-ministro rejeitou esta quarta-feira, em Londres, a ideia de que a estabilidade política em Portugal esteja em causa, face a divergências com o BE, reagindo com irritação às perguntas colocadas por jornalistas portugueses.

Confrontado em Londres por jornalistas portugueses com a possibilidade de a estabilidade política estar em causa em Portugal, António Costa limitou-se a responder: "onde? [Em Portugal]. Não!"

Em causa está o aviso feito hoje pelo Bloco de Esquerda ao Governo de que não poderá ir além dos compromissos assumidos com Bruxelas e terá de inscrever até sexta-feira no Programa de Estabilidade a meta de 1% de défice para 2018 acordada no orçamento.

Se o BE inviabilizar a aprovação do Programa de Estabilidade (PE) no parlamento, uma vez que o CDS-PP já anunciou a intenção de requerer a sua votação, o documento pode ser rejeitado.

A crise política que levou à demissão do antigo primeiro-ministro José Sócrates surgiu na sequência do 'chumbo' no parlamento do PEC IV (Programa de Estabilidade e Crescimento), designação anterior à atual (Programa de Estabilidade).

Numa conferência de imprensa realizada hoje na Assembleia da República, a dirigente bloquista Mariana Mortágua advertiu que o Governo criará "instabilidade" na maioria parlamentar de esquerda caso mantenha a intenção de inscrever uma meta de défice de 0,7% no Programa de Estabilidade (PE).

O Programa de Estabilidade deverá ser aprovado em Conselho de Ministros na quinta-feira, dando entrada na Assembleia da República na sexta-feira.

"Temos apenas quatro meses de execução do Orçamento do Estado para 2018 e o Governo já está a rever em baixa o compromisso que assumiu com Bruxelas porque tem uma grande margem proveniente de 2017 - uma margem de mais de mil milhões de euros que não foi gasta nem executada em investimento em serviços públicos e em recuperação de rendimentos", sustentou Mariana Mortágua.

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