Coragem e ânimo nos tempos difíceis evocados com emoção pelos filhos

"Adeus, querido pai", despediu-se João Soares; o "nosso herói", lembrou a filha Isabel, na homenagem no Mosteiro dos Jerónimos

A coragem de Mário Soares nos momentos difíceis da sua vida foi hoje recordada com emoção pelos filhos João e Isabel, no claustro dos Jerónimos, onde voltou a ecoar a voz do ex-Presidente da República 32 anos depois.

"Nós, tínhamos aprendido há muito, não se chorava à frente dos PIDES", disse João Soares, que recordou o dia em que em 1968 ficou a saber, com a sua irmã, avô e mãe, que iam deportar o pai para São Tomé e Príncipe, um dos momentos mais difíceis que Mário Soares enfrentou "digno" e "corajoso como sempre".

Na sua intervenção João Soares evocou o percurso político do pai, que "sofreu um número de prisões elevado" e foi forçado ao exílio em Paris, durante quatro anos, onde "fez uma vida simples": "somos testemunhas disso", afirmou.

Com a voz embargada, Isabel Soares, filha, lembrou os "tempos difíceis esses das prisões, da deportação para são Tomé e do exílio em Paris" mas, frisou, "nem durante esse tempo" se ouviu a Mário Soares um "queixume, uma palavra de desalento ou desânimo"

A cerimónia de homenagem ao antigo presidente da República, que morreu sábado aos 92 anos, começou com a audição das primeiras palavras que proferiu, enquanto primeiro-ministro, na cerimónia de assinatura do Tratado de adesão à Comunidade Económica Europeia, a 12 de junho de 1985, há quase 32 anos, no claustro do Mosteiro dos Jerónimos.

"Nestes claustros velhos de quatro séculos juntam-se hoje o passado e o futuro de Portugal. Ao realizar aqui a cerimónia histórica da assinatura do Tratado de Adesão de Portugal às Comunidades Europeias, quisemos sublinhar que a fidelidade às nossas raízes e tradições constitui condição essencial para a construção do futuro", disse então Mário Soares.

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