Como foi o meu dia na Expo 98?

Ana Isabel de Cerqueira e Alves, 37 anos, Assistente de marketing, Barreiro

A Expo 98 foi uma experiência para guardar eternamente. Frequentava o 12º ano, em Humanidade, na Escola Secundária dos Casquilhos (no Barreiro) e, tal como alguns alunos da minha turma, fomos desafiados a integrar um dos grupos que iria animar o recinto - com três espetáculos diários - e receber os milhares de visitantes e convidados que foram ao agora Parque das Nações.

Durante aqueles meses não houve um dia igual. Portugal mostrou uma "cara" que surpreendeu por ser irreverente e inovadora. Com a Expo enterrámos definitivamente a ideia de um país pouco desenvolvido - que era o que esperavam encontrar alguns estrangeiros - e apresentámos um povo e um território que merecia ser descoberto. A partir desse ano, o mundo ficou com a certeza que Portugal era um país criativo, com capacidade e, acima de tudo, um país que sabe receber quem o visita.

Aliás, os sucessivos recordes de turistas vêm certamente dessa notoriedade que ganhámos no verão de 1998.

Todos os dias foram dias para guardar na memória. E entre as saudades dos desfiles, dos espetáculos, dos dias de ansiedade durante os ensaios fica, para sempre, um grande beijo de saudades a quem me proporcionou estes bons momentos, o Professor Orlando Nunes, já falecido. Eternamente grata!

A 22 de maio de 1998 abriu portas em Lisboa a Expo"98, com o tema "Os oceanos: um património para o futuro". Até ao dia 30 de setembro, Portugal mostrou ao mundo o resultado da requalificação de uma zona da capital que estava degradada: foi ali, onde hoje é o Parque das Nações, que nasceu uma das melhores exposições mundiais realizadas até à altura. O recinto recebeu mais de dez milhões de visitas e diariamente havia uma novidade para descobrir, fosse nos pavilhões dos países representados, fosse nos locais onde decorriam espetáculos, concertos ou desfiles. Além dos pavilhões temáticos, alguns com filas onde as pessoas esperavam longos minutos para entrar.

São essas experiências que o DN vai recordar diariamente, com testemunhos de quem ali esteve de visita ou fazendo parte dos espetáculos.

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