"Como é evidente, não mudei de opinião"

Sérgio Sousa Pinto vai integrar Comissão Nacional do PS

Decidiu que afinal não discursaria aos congressistas. Porquê?

Entendi não falar porque já tenho tido oportunidade de explicar o que entendo sobre a situação política do partido e do país em condições muito mais satisfatórias do que aquelas que disporia em dois minutos. Acho que falar neste contexto e neste congresso, tendo em conta as finalidades naturais de um evento desta natureza, não serviria nenhum propósito útil, nem do ponto de vista do partido nem do ponto de vista do país.

Mas mantém ou não todas as críticas que fez à direção do partido por ter decidido formar governo mesmo sem ter vencido as eleições legislativas?

Como é evidente, não mudei de opinião sobre os problemas de ordem política e de legitimidade democrática que prejudicam e debilitam este governo desde o princípio. Mas entendo que é absolutamente insólito que nesta fase ainda se entenda que essa discussão como central.

Mas porquê?

Este governo tem um programa aprovado no Parlamento, um Orçamento do Estado aprovado no Parlamento e, inclusivamente - coisa que não tinha no princípio -, apoio político e da confiança do Presidente da República, o que é essencial num sistema como o nosso, semipresidencial. Neste momento, será mais estimulante falar do futuro e não continuar à volta de um problema que não tem solução, o pecado original cometido na formação deste governo.

Viu nestes seis meses de governação alguma coisa que para si seja tremendamente ofensivo da identidade doutrinária do PS?

Não, não vi. Mas não me pareça que seja o tempo de perorar longamente sobre a governação. Não é o tempo.

Qual é a força simbólica de ter aceitado voltar a integrar um órgão dirigente do PS, no caso a Comissão Nacional (órgão máximo entre congressos)?

O significado da decisão é corresponder a um apelo que me foi feito pela secretária-geral adjunta do PS, Ana Catarina Mendes, e que eu entendi que era irrecusável porque foi feito invocando os interesses do partido. Não percebo por que razão haveria de recusar um convite feito nesses termos, em nome do interesse do partido.

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