Comandante da PSP da Amadora nomeado para a cooperação policial

O intendente Jorge Resende, que comandava Loures e preside ao sindicato dos oficiais da PSP, é o novo comandante na Amadora

O comandante da PSP da Amadora, intendente Luís Pebre, será oficial de ligação desta força de segurança no novo Ponto Único de Contacto para a Cooperação Policial Internacional (PUC-CPI), que vai juntar as bases de dados de informações, como a Europol, a Interpol, o SIRENE e os Centros de Coordenação Policiais Aduaneiros, nas mesmas instalações, no caso a sede da PJ. Pebre, que liderou a equipa de segurança pessoal de Cavaco Silva, está desde 2012 na Divisão Policial da Amadora, palco nos últimos tempos de alegados abusos de autoridade e violência da parte de agentes.
O DN questionou a direção nacional da PSP sobre se esta transferência está relacionada com os acontecimentos alegadamente ocorridos na esquadra de Alfragide, que pertence ao comando da Amadora, mas apesar da pergunta ter sido feita já no passado dia 30 de agosto, ainda não foi obtida resposta. O intendente foi substituído no início do mês pelo ex-comandante da Divisão de Loures, Jorge Resende, presidente do Sindicato Nacional dos Oficiais da PSP.
A nomeação de Luís Pebre, já conhecida no meio da segurança interna, é considerada uma promoção para o oficial. Fontes da PSP ouvidas pelo DN, admitem no entanto que esta nomeação "tenha sido uma solução diplomática" para afastar o oficial do comando problemático. Não é novo, aliás, o expediente de "promover" oficiais envolvidos em polémicas. Em 2013, o então diretor da PSP foi nomeado como oficial de ligação em Paris - um cargo até criado na altura - depois de ter pedido demissão, na sequência da invasão da escadaria do parlamento por manifestantes de sindicatos de polícias.
O desempenho do comando da Amadora em relação aos bairros, como a Cova da Moura, 6 de Maio e Santa Filomena, tem sido alvo de algumas críticas de alguns moradores, que se queixam de se ter deixado de apostar no policiamento de proximidade e privilegiado a ação mais musculada da polícia. O vereador do PCP da autarquia, Francisco Santos, numa reunião de câmara, posterior a ter sido conhecida a acusação contra os agentes de Alfragide, chamou a atenção para "o progressivo abandono do policiamento de proximidade, que na Amadora passou a ser substituído por um conceito de intervenção musculada" o que lhe parecia ser "pouco adequado para uma cidade em que coabitam e coexistem mais de quarenta nacionalidades". Ao DN, a propósito do caso de Alfragide, sublinhou não acreditar que aqueles polícias possam agir daquela forma sem orientação superior".
Em reação à saída de Luís Pebre, Francisco Santos manifesta o "desejo de que o próximo comandante retome a filosofia que existia antes do seu antecessor chegar, com um policiamento de proximidade, um bom relacionamento com as pessoas, quer na cidade, quer nos bairros periféricos. Espero que se consiga um entendimento, com envolvimento de todos, moradores, autarquia e polícia, para que o trabalho da PSP seja entendido como útil e necessário para a proteção de todas as pessoas".
O novo comandante, Jorge Resende, enquanto presidente do Sindicato Nacional de Oficiais, garantiu que não há racismo da PSP. Em declarações à TSF quando foi conhecida a acusação do Ministério Público, disse que falar em racismo é um caminho muito difícil de provar e recorda que há alguns anos um agente "de cor" foi morto a tiro perto da Cova da Moura e na altura ninguém falou de motivações racistas.

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