Cofre dos Funcionários do Estado favorece juiz Carlos Alexandre

Presidente do organismo procedeu sozinho à atribuição de um empréstimo, passando à frente de outros processos

Bastaram 72 horas para o juiz Carlos Alexandre receber os quatro mil euros que pediu de empréstimo ao Cofre de Previdência dos Funcionários do Estado. O processo, em circunstâncias normais, demoraria cerca de dois ou três meses, mas, de acordo com o programa Sexta às 9, da RTP1, passou à frente de todos os outros que tinham dado entrada no organismo.

Num resumo desta reportagem, que será emitida na íntegra esta noite, é explicado que o empréstimo é legal e que o que está em causa é um favorecimento no prazo de atribuição do mesmo.

O juiz do Tribunal Central de Instrução Criminal, responsável por casos tão mediáticos como a Operação Marquês ou Vistos Gold, pediu em junho de 2012, segundo a reportagem, um empréstimo de quatro mil euros à Caixa de Previdência dos Funcionários do Estado. O presidente do organismo, Tomé Jardim, escreveu um despacho (ao qual o Sexta às 9 teve acesso) em que solicitava ao chefe de secção que procedesse ao "envio do processo de abono ao associado Carlos Alexandre para decisão do conselho de administração." Só que um dia depois, ainda de acordo com a mesma fonte, "procedeu sozinho ao pagamento do empréstimo" e "dois dias depois, o dinheiro foi transferido" para a conta do magistrado.

Uma fonte anónima ouvida na reportagem explica que o empréstimo poderia demorar dois ou três meses a ser concedido, pelo que o "senhor presidente decidiu atender o pedido de imediato, passando à frente dos outros associados todos". Diz o regulamento que os processos são analisados por ordem de chegada.

Um elemento do conselho de administração do organismo, confrontado com o despacho de Tomé Jardim, garante não conhecer o processo.

O presidente da Caixa dos Funcionários do Estado não aceitou dar uma entrevista gravada, mas terá explicado à RTP que "em momento algum fez um favor a Carlos Alexandre, que admitiu conhecer desde os tempos em que era funcionário do ministério das Finanças". Terá ainda afirmado que escondeu o processo num cofre e lhe deu um caráter de urgência por se tratar de uma "figura mediática", mas não terá explicado porque é que o processo nunca passou pela secretaria.

O juiz Carlos Alexandre não respondeu às questões da RTP.

O Cofre de Previdência é, segundo informação constante do seu site oficial, uma instituição de previdência social, de utilidade pública, constituída por associados, que são ou foram trabalhadores da função pública. De acordo com a RTP terá cerca de 50 mil sócios.

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