Cinco horas com Stephen Hawking na baixa lisboeta

Stephen Hawking é um dos cientistas mais respeitados do mundo e revolucionou a cosmologia. Sónia Guerreiro levou-o a comer um pastel de Belém.

*Stephen Hawking morreu esta quarta-feira, aos 76 anos. Recuperamos este texto da sua passagem por Portugal em 2014*

Na sexta-feira dia 10, às 10.30 no Cais de Alcântara, Stephen Hawking e os seus seis cuidadores desciam do navio cruzeiro Independence of the Seas, para serem apanhados por Sónia Guerreiro numa carrinha adaptada para acomodar a cadeira de rodas de Stephen. Era o princípio de uma visita por Belém e pela baixa lisboeta.

A visita começou na Torre de Belém, onde Stephen Hawking quis descer da carrinha para ver as vistas e para que pudessem tirar fotografias junto da Torre e do Monumento da 1.ª Travessia, a réplica do avião de Gago Coutinho e Sacadura Cabral.

Sónia Guerreiro, auxiliar de ação médica e motorista, está habituada a ajudar clientes com mobilidade reduzida a conhecer Lisboa, através do seu trabalho na TourismForAll. Mas Hawking era especial.

"A experiência foi bastante gratificante para mim," disse Sónia ao DN. "Adorei." Impressionada desde logo pelo renome científico e inteligência do físico, Sónia sublinhou também que Hawking é "uma pessoa fantástica, muito simples, nada de nariz empinado."

Depois da Torre de Belém, Sónia levou Hawking e os seus cuidadores aos icónicos pastéis. O cientista já não comia um bolo há mais de trinta anos, por ter limitações dietéticas, mas quis provar o pastel.

Falar é um processo difícil e lento para Hawking, visto ter que construir as suas palavras e frases através de pequenos movimentos da bochecha. O físico sofre de Esclerose Lateral Amiotrófica, que o deixa preso a uma cadeira de rodas e sem mobilidade praticamente nenhuma. No entanto, depois de comer o pastel de Belém, Stephen Hawking formou uma das poucas frases que disse todo o dia: "O que ando a perder há 33 anos."

Sónia acompanhou Stephen Hawking a pé até ao Mosteiro dos Jerónimos, e o cientista foi reconhecido por muitos transeuntes. "Imensa gente o reconheceu, até o guia disse que não pensava que ele fosse tão reconhecido como foi," afirmou Sónia. Os cuidadores não permitiram às pessoas que tirassem fotografias.

No interior dos claustros do mosteiro, Hawking ouviu atentamente o guia turístico, e quis perguntar se o mosteiro fora construído antes ou depois do terramoto de 1755.

De volta à carrinha, Sónia levou o cientista e os seus cuidadores até ao Rossio, onde eles puderam passar uma hora sozinhos a passear e a fazer compras na baixa de Lisboa. Quando, por volta das três horas, voltaram para o cais de Alcântara, Sónia pediu ao cientista para tirar uma fotografia com ele.

Hawking só tinha visitado Lisboa uma vez antes, nos anos 60. O Independence of the Seas rumou depois até à Madeira, com o cientista a bordo.

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