Cerca de 40 pessoas em protesto silencioso contra padre

"Não acusamos o senhor padre de nada, a não ser de falta de apoio", disse uma das pessoas. Padre diz já ter feito queixa na PSP

Cerca de 40 pessoas concentraram-se hoje de manhã no adro da igreja de Darque, Viana do Castelo, à hora da missa dominical num protesto "silencioso" de contestação ao pároco local, queixando-se da "falta de apoio" de Manuel Pinto.

"Não acusamos o senhor padre de nada, a não ser de falta de apoio para as atividades que o grupo desenvolve. É falta de apoio, literalmente", afirmou Vânia Ferreira, do grupo Sagitta, "suspenso" desde o último domingo da animação das missas da paróquia.

Questionada pelos jornalistas sobre o objetivo da contestação, a jovem que pertence à direção do grupo constituído há cinco anos e composto por cerca de 13 elementos, disse não ser viável "trabalhar com uma pessoa assim".

Contactado pela agência Lusa, o bispo da diocese de Viana do Castelo, Anacleto Oliveira, através do secretariado para a comunicação social, fez saber que "não comenta o assunto".

No início de março, um grupo de cidadãos lançou uma petição pública na internet a pedir o afastamento do pároco face às "inúmeras atitudes lamentáveis para com a população" daquela freguesia da margem esquerda do rio Lima.

A petição foi lançada na sequência de uma denúncia pública feita através das redes sociais, por um jovem da freguesia que lamentou o facto de o pároco ter realizado, conjuntamente, a missa do sétimo dia do falecimento do pai e as celebrações dos 25 anos de casamento de um casal da freguesia, sem que, em ambos os casos, os paroquianos tenham sido informados previamente da situação.

Mário Carvalho, também da direção do grupo Sagitta, referiu que, em três anos, "nunca houve grande interação" com o pároco.

"Ele nunca se manifestou disponível. Mesmo depois da criação da petição pedimos-lhe uma reunião. Não respondeu. Nunca teve grande ligação connosco", afirmou, dizendo desconhecer quem convocou o protesto de hoje e quem criou a petição 'online'.

As cerca de 40 pessoas que participaram no protesto abandonaram o adro da igreja antes do fim da missa para "evitar atritos com os apoiantes do padre".

No interior do templo, cerca de 400 pessoas assistiram à homilia, tendo sido distribuídas flores brancas aos presentes e lida uma mensagem de apoio a Manuel Pinto.

No documento, a que a Lusa teve acesso, pode ler-se que "uma maioria silenciosa anseia por um ambiente de paz, tranquilidade, respeito e serenidade na casa do senhor, livre de intrigas, desafios e provocações".

No final da missa, em declarações aos jornalistas, Manuel Pinto desvalorizou o protesto, afirmando tratar-se de "pessoas que têm feito ruído e atuado através de redes sociais, com petições 'online', por interesses que só eles saberão quais são".

Questionado sobre a origem da contestação, o pároco afirmou residir na "incapacidade do grupo de jovens se inserir em igreja, no seio da comunidade paroquial".

Manuel Pinto afirmou ter apresentado queixa na PSP por ameaças feitas na petição.

"Espero que siga para o Ministério Público para que as pessoas aprendam que têm de respeitar para serem respeitadas", sublinhou, garantindo ter-se já reunido com Anacleto Oliveira.

"O senhor bispo está ao corrente de toda a situação. Está por dentro de tudo isto. Sabe muito bem quais são as motivações que estão inerentes a toda esta situação. São problemas de muitos anos que eu já sabia que existiam quando cheguei a esta paróquia. Naturalmente, quando se tem de trilhar um caminho de rigor as coisas por vezes não são entendidas assim", referiu o padre que é também juiz no tribunal eclesiástico de Viana do Castelo em causas de nulidade do matrimonial.

Na sexta-feira à noite, mais de três centenas de paroquianos juntaram-se num jantar de apoio ao pároco realizado no anfiteatro do Centro Pastoral Paulo VI, residência do bispo de Viana do Castelo.

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