Centrais intensificam pressão mas sem sombra de greve geral

CGTP e UGT celebraram o Dia do Trabalhador pondo já em cima da mesa o seu caderno reivindicativo para o Orçamento do Estado de 2018. As formas de luta apresentadas estão longe de indicar cenários de rutura

A ameaça de uma greve geral pela CGTP - "todas as hipóteses estão em cima da mesa, nenhuma é excluída", disse o líder da central, Arménio Carlos, numa entrevista conjunta DN/TSF - acabou em nada. Nem geral nem parcial nem setorial - zero.

O mais que a central promete são duas "grandes manifestações" - uma em Lisboa e outra no Porto -, para 3 de junho, inseridas num "Dia Nacional de Luta" e subordinadas ao lema "Unidos pela valorização do trabalho e dos trabalhadores". "Um dia de luta nacional de conferência que convoca todas as mulheres e homens trabalhadores (...) que lutam pela efetivação da mudança de política e que irão, a uma só voz, transmitir ao governo que este é o momento de avançar, porque é a partir do que se faz no presente que se constrói o futuro", disse o líder da central.

A isto chama-se "intensificar a luta", segundo disse Arménio, ontem, na Alameda, em Lisboa, na manifestação que encerrou o tradicional desfile do 1.º de Maio pela Ave-nida Almirante Reis. "É preciso intensificar a luta em cada local de trabalho, empresa e setor, desenvolver a ação reivindicativa, na defesa dos interesses da classe dos trabalhadores, no confronto com o capital."

Ou seja, "é preciso ir mais longe" porque a central não aceita que "um ano e meio depois de o governo ter iniciado funções, não se tenham atacado os problemas que estão na origem das desigualdades e da pobreza laboral". "Valorizamos o que foi feito. Mas a vida continua, o tempo passa, os problemas estruturais mantêm-se, as respostas tardam e é preciso atender às legítimas expectativas de todos os que lutaram pela mudança. Este é o tempo de mudar e de fazer mais e melhor", afirmou ainda, sublinhando que "um governo que anuncia a mudança de política e se diz preocupado com as pessoas, não pode ficar impávido e sereno quando o PSD e o CDS lhe fazem o elogio envenenado por manter a legislação de trabalho da política de direita e da troika".

Como era de esperar, Arménio Carlos apresentou já o caderno reivindicativo para o próximo Orçamento do Estado: que "assegure a progressão das carreiras, reponha o vínculo de nomeação e force a subida dos salários dos trabalhadores da administração pública".

Entretanto, a central irá "lutar para que o governo PS dê resposta à exigência da eliminação das normas gravosas da legislação laboral", "para forçar o governo a eliminar a norma da caducidade, reintroduzir o princípio do tratamento mais favorável do trabalhador e a renovação automática dos contratos coletivos".

Já a UGT falou de um cenário hipotético para que a central convoque uma eventual greve - mas da função pública. Falando na sala do Centro Cultural de Viana do Castelo, cidade em que a UGT concentrou os seus festejos do Dia do Trabalhador, Carlos Silva recusa um adiamento do salário mínimo nacional. "Nós não aceitamos que só haja aumentos salariais em 2020. Dez anos sem aumentos salariais é uma barbaridade e, acima de tudo, uma grande injustiça, que leva os trabalhadores da administração pública à indignação. E se tiverem que ir para a greve, nós acompanharemos e estaremos lá", atirou o secretário-geral da central, citado pela Lusa.

Para Carlos Silva, o aumento de 600 euros até 2019 inscrito no programa de governo é para cumprir nos prazos definidos pelo próprio executivo socialista. "Esperamos que o governo cumpra o seu compromisso, porque está escrito no seu programa. Em 2019, queremos os 600 euros. E no ano que vem não fazemos por menos, queremos os 580 euros, que é aquilo que está no programa do governo. A política tem de ser cumprida com verdade e esperamos que o governo a cumpra e a aplique."

Além da reposição de rendimentos nos salários, o secretário-geral da UGT pede o alívio da carga fiscal para os trabalhadores, que "é de loucos", deixando um apelo ao governo "para não se esquecer de repor a progressividade nos escalões do IRS". "Os trabalhadores precisam de respirar. Precisam de alívios e o alívio não é na casa de banho, é também na sua carteira. Precisam de aliviar os seus rendimentos. Têm uma carga de impostos exagerada. Senhor ministro das Finanças, para 2018, o Orçamento de Estado tem de prever a reintrodução de mais escalões no IRS para haver mais justiça fiscal, mais equidade e mais igualdade no nosso país", atirou, numa linguagem viva.

Ao apelo ao ministro das Finanças, Carlos Silva juntou um outro, dirigido ao primeiro-ministro, António Costa, para integrar todos os precários na função pública. "Senhor primeiro-ministro, abra as portas ao diálogo social. Não permita que se continuem a castigar os trabalhadores da administração pública. Ficamos satisfeitos pelo facto de o governo assumir o compromisso de integrar já, ou nos próximos meses, 50 mil trabalhadores precários, mas até ao final do seu mandato, que terminará em 2019, tem de assumir outro compromisso com o país. É o de resolver o problema da integração total dos precários no Estado."

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