Centeno no Eurogrupo. Sim, mas há outras hipóteses

Governo de António Costa alimenta cenário de promoção europeia do ministro das Finanças ao cargo agora ocupado por Dijsselbloem

O governo voltou ontem a não excluir a hipótese de o ministro das Finanças português, Mário Centeno, suceder ao holandês Jeroen Dijsselbloem na presidência do Eurogrupo (o organismo informal da UE que reúne os ministros das Finanças da zona euro).
Portugal "não vira as costas" às suas responsabilidades no projeto europeu, disse, em Bruxelas, o secretário de Estado das Finanças, Ricardo Mourinho Félix. "Vejo nisso um reconhecimento grande pelo trabalho que foi feito pelo governo português, e daí não retiraria quaisquer ilações adicionais sobre esse tema. Acho que o ministro foi claro no que disse, o primeiro-ministro também falou sobre o tema, portanto eu sobre isso não tenho muito mais a acrescentar", declarou.
Anteontem, questionado por jornalistas, António Costa admitiu que seria "uma grande honra" para Portugal se Centeno viesse mesmo a assumir a presidência do Eurogrupo. Contudo salientou que o nosso país não formalizou nenhuma candidatura.
Antes, já o que o próprio Centeno tinha dito numa entrevista ao canal norte-americano CNBC contribuiu para alimentar os rumores, recusando-se a excluir-se da corrida.
Pela tradição, é obrigatório que todos os membros do Eurogrupo sejam simultaneamente ministros das Finanças nos respetivos países. Contudo, o ministro alemão com esta pasta, o todo-poderoso Wolfgang Schäuble, tem vindo a defender que o presidente do organismo desempenhe esta função em exclusivo. Até julho, Alemanha e França apresentarão uma proposta conjunta para o futuro da moeda única, a qual deverá contemplar a organização do Eurogrupo. Foi já aparentemente num quadro de funções em exclusividade em Bruxelas que Centeno respondeu às perguntas da CNBC: "Sim, os assuntos em Portugal são para manter em boas mãos, não necessariamente nas minhas mas temos muitas coisas para fazer lá [em Lisboa]", disse, entre risos.
Seja como for, o processo de sucessão de Dijsselbloem parece estar longe de se iniciar. Enquanto não se concluírem as negociações interpartidárias na Holanda para formação de um novo governo - negociações cujo fim não se vislumbra -, Dijsselbloem mantém-se ministro das Finanças. E enquanto assim for, manter-se-á também presidente do Eurogrupo.
O governo não descarta a hipótese Centeno mas ao mesmo tempo vai dizendo que há outras candidaturas que apoiaria. Por exemplo a do ministro das Finanças espanhol, Luis de Guindos (conservador de centro-direita).
A outra hipótese apoiada pelo governo de António Costa é o ministro das Finanças de Itália, Pier Carlo Padoan, independente de centro-esquerda. Uma eventual candidatura italiana é difícil de avançar, visto que Itália já conta com cargos importantes: os presidentes do Banco Central Europeu (Mário Draghi) e do Parlamento Europeu (Antonio Tajani).

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